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2.21.2007

espaços suspensos

Espaços!

Espaços reais, visíveis, são todos aqueles que a retina alcança.

Todos os outros, aqueles que nunca revelámos também o são. Aliás, são-no ainda com mais força, nunca visualizados e por vezes incompreendidos, são abstracções formadas por conceitos vagos que se vão transfigurando num universo sensível ao toque e ao pensamento.

Livres são esses hologramas.

Verídicos!? Com certeza ou sem ela existem pela qualidade real que encerram e pelas infindas possibilidades de montagem que propiciam. Ora fixos, ora amovíveis, são estas as verdadeiras celas que nos encerram, que nos enclausuram.

Sem darmos por isso absorvem o intelecto para dele sobreviverem. Os espaços ilusórios são assim, parasitas insaciáveis que se alimentam do olhar para acrescentarem mais uma vida ao espaço suspenso. Deixam-nos vegetar no leito X da camarata global.

São imperativos e autoritários, escorregadios e incompreensíveis, desconhecidos e irreconhecíveis. Bebem do real para crescer até ao infinito.

Dão-nos a volta. Fazem de nós o que querem. Às vezes dão-nos pistas da sua existência mas logo as apagam para que o seu crescimento seja contínuo e imparável.

Propiciam-nos uma visão a cores da existência para a consideramos autêntica, una, mas constantemente mutável pela sua força.

Espaços e qualidades provadas deixam de ser as que conseguimos compreender, passam a ser virtuais, ilusórias.

Sofrónia, nome irreal que me parece ter sido um dos que alguma vez foi mencionado, deixa pensar, reflectir, julgar, avaliar, mas desaparece mal prenunciam o seu nome.

12.14.2006

espaços verdadeiros

Radiante ar o que rodeia aquele espaço idílico em que tudo é verdejante e bucólico, habitação do vitorioso soldado desconhecido.

De belas formas, esvoaça de vestes transparentes que fazem perceber lânguidos movimentos sugestivos. Vitorioso mas cego, antes acéfalo, deixa-se admirar pelo idólatra anónimo sem lhe cobrar o olhar.

Com ele segue a verdade, esse figurino dúbio que se acosta à vida, mas cujo vislumbre limitado é apenas apanágio dos que a levam, sempre com imaculada ironia. De facto, não difere da mentira, experimentada no que se não tem e tantas vezes no que se conta.

A descrição fantasiosa do real não é mais do que o irreal verdadeiro ou o autêntico falseado. Daqui resulta o poder da visão e de ela reconhecer na verdade, a certeza ou a ambiguidade, nunca confirmando as formas para lá dos panejamentos.

Assim é Olívia, essa cidade fantástica em que tudo parece ser e nada é, realmente, como soía.

4.04.2006

Espaços duplicados

O ser e a sua imagem reflectida não são o mesmo, são ambíguos e díspares, impossíveis de se igualarem.

Quando visionada, a imagem vive da aparência, da falácia, da vontade de espelhar desejos e não realidades. Porém, visionada pelo frio clarão, tudo se simplifica, máscaras caem, deixando ver rugas, tristezas, lágrimas, sorrisos, verdades. O espelho tem esse dom, o de purificar imagens.

Contudo, a veracidade não nos preenche completamente. Por isso, transfigurou-se o reflexo para que deixasse de contar histórias e passasse a viver das estórias mal amanhadas que a tentação conta mas que a certeza desmente.

Por sua vez o reflector fidedigno, ameaçado pelos constantes upgrades reflexivos, começa a transmitir visões incongruentes, ora pintando cabelos brancos, ora alteando bustos, ora torneando pernas.

A simetria do encanto não é, por isso, validada pela imagem, esvai-se à medida que a ondulação circular vai definhando o reflexo, deixando vislumbrar a realidade.

Valdrada não é, portanto, nem espaço, nem singular, é antes o ser e o seu reflexo.


3.27.2006

Espaços aparentes

A urbe tresanda de vida!

Pessoas atarefadas cruzam-se sem nunca desviar o olhar. Os passos sucedem-se sem saber o destino. Sempre determinados não vá alguém estar atento.

Corredios, não param para descansar nem sequer para saborear os aromas ora acres, ora doces, ora incipientes que se sucedem. Gente improvável atravessa-se em caminhos ainda mais duvidosos e ninguém pára para olhar.

Desejos escondidos passam por nós sem sequer lhe sentirmos o rasto, vontades inomináveis escondem-se por detrás de máscaras que não vemos. Os vultos sim, sentimo-los, por vezes provocam calafrios lembrando-nos que alguém menos insignificante merecia um relance, mas a pressa não o permite.

Figuras amontoam-se à espera do mesmo: de uma lufada de vida que os leve dali por um passadiço perigoso, dando alento à inspiração.

Triste congénito, vazio natural, ávido por vida, coabita no imaginário de pensadores, resiste à força do tempo, sobrevive, dia após dia, ao mesmo desígnio de ontem que será, quem sabe e se deus quiser o de amanhã.

A luxúria vive lá dentro. Inglória, tenta furar por entre valores morais e éticos, bem definidos, que não podem ser quebrados.

A alegria, manifesta-se efémera, rasgando, de quando em vez, por entre as barreiras do pudor e da decência.

A verdade, débil, persiste por entre silêncios e vontades inqualificáveis que ninguém tem coragem de verbalizar.

Nada perdura no mundo real. Cá dentro, é outra coisa! Nestes espaços interiores, a vida vive, alegre, luxuriante, verdadeira, sem receios de ser quem é!

Cloé é vazia, aparente. Fantasmagórica subsiste numa esquina perto de si!

3.14.2006

Espaços subtis

Estranhos espaços os que habitámos! Como se estivéssemos confinados à presença assídua de uma gaiola geográfica que nos imprime uma estada.

Somos, por isso, o reflexo de um contexto, antes, de um estado de graça colectivo que nos indica uma conduta, um rumo a seguir. Como se não tivéssemos direito a opinar sobre onde, quando e como trabalhar o nosso destino.

Moldados pelos que nos rodeiam, vivemos um mundo concreto, num espaço designado, com barreiras mentais profundas, aplicadas a nós e aos que connosco vegetam.

Três vezes realidade é o caminho que o grupo nos indica.
Vives aqui, com isto e aquilo e sem mais aquele objecto porque não é para ti, é para o outro!

Designámos pertences e sentimentos como se fossem todos iguais, quando não se aplicam, damos-lhe um exemplo prático e torna-se, desde logo, parecido com, logo, explicado.

É explicado, logo existe!

Tens fé, logo pensas no bem comum!

Acreditas no milagre, logo és crente!

Tudo é real e toda a explicação é válida, mesmo que o fenómeno não esteja explicado.

A irrealidade, não tem espaço, não existe, não pensa, não vive! É a estultícia de que falava Erasmus e quem a elogiar, não é estulto, é estultíssimo!

Então, se fomos designados para determinado local, não teremos nós o direito libertário de sermos irreais, de idealizarmos, de vivermos algo que vai para além da prisão última que é a consciência!?

Voto contra o destacamento por conveniência, dos lugares onde se vive!

Voto na liberdade de não existir!

Voto pela qualidade da vida irreal e da possibilidade de voar sem levantar!

Exijo viver como quero, sem paredes e sem ser obrigado a seguir o bom caminho que nos leva à velhice!


Assim se vivia em Armilla, antes de ser destruída pela vã lucidez da humanidade.


3.10.2006

Espaços apalavrados - reloaded

Espaços apalavrados, imaginados ou mimetados, todos eles têm o valor que lhe queiramos dar!

Uns, sob a forma de caracteres, propiciam a descodificação, outros, gesticulados, são interpretados segundo os olhos que o bebem.

É que a mensagem que todas as coisas emanam, reflecte uma ideia, transmitem algo, não que ela seja inteiramente a mais correcta ou verdadeira. Por vezes, mensagens há que transmitem um valor errado outras, na sua inverosimilhança, enviam o sinal correcto.

É o tal sinal tresmalhado que enviamos nos momentos piores e que é inacessível à massa. O mesmo que, no discurso, permite perceber anseios e vontades escondidas por detrás de palavras inauditas, essas mesmas que, por ventura, estão por detrás no monitor.

Assim é Hipácia, a cidade irreal, em que tudo tem um valor simbólico, nenhum valor factual.

3.03.2006

Espaços esquecidos

Zobaida é uma cidade tanto fantástica quanto fantasmagórica.

Feita para ser um labirinto da luxúria tornou-se, com o tempo, numa pálida imagem do que foi quando idealizada.

Tal como esta, a vontade de reviver é tão pujante que os limites para a sua reconstrução são facilmente ultrapassáveis.

Neste processo de passagem de obstáculos há recordação viva, esquecemo-nos que o passado não se repete, ou antes, repete-se, por vezes, mas segundo novos padrões, deixando apenas uma pálida imagem do que foi e, por isso, impossibilitando o retorno da tal emoção à tempos sentida.

Neste processo reedificativo, desvanecem sonhos, azedam desejos, aligeiram-se vontades. Permanece apenas a sensação de vazio e a certeza da frustração por não voltarem outros tempos memoráveis.

Assim nasce o esquecimento.

3.02.2006

Espaços apalavrados


Do gesto à palavra vai um processo de aprendizagem da verbalização de um acto.

Permite ramificar ideias, comparar e discutir, mas inviabiliza a pureza da comunicação e a duplicidade do que é dito, pois aos gestos correspondiam vários ideias, às palavras - a dureza da honestidade e a sua (in)compreensão.

É que as palavras têm o dom de limitar a imaginação, dão-lhe balizas.

Quando não utilizadas, permitem uma maior veracidade. É como se o silêncio fosse de ouro e permitisse o entendimento pleno do que foi expressado e do que podia ter sido dito.

Porém, quando nos limitamos à construção frásica, condensamos sentimentos, vontades, dúvidas e gestos à rudeza de um símbolo, ou conjunto deles.

Digamos que a escrita esgota sentidos, enquanto que a não comunicação abre valas para o desconhecido.

Contudo, o som organizado também se esgota. Desta feita, a única opção lógica será comunicar verbalizando o que é pretendido de forma mais ou menos aclarada.

Trata-se de um ciclo vicioso o de apalavrar sentidos, que acaba na monotonia e recomeça na esperança.

2.24.2006

Espaços memoráveis

A memória é volátil, altera-se com o passar dos acontecimentos.

Deambula por entre factos e contextos e é mutável por eles mesmos. Tantos por uns que se lhe sobrepõe em importância social, quanto por outros mais confortáveis para a evolução da civilização.

Quando pessoal, a memória esvai-se com o tempo. Porém, quando colectiva, mantêm-se para além dos intervenientes e das vontades, esfumando-se ora quando saturado pelo manuseamento, ora quando tornado irrelevante ou obsoleto pela pertinência.

É uma forma estranha a da lembrança. O que vemos é nosso, não é o que foi e nunca tornará a ser o que era, contudo, mantêm-se inalterada em momentos virtuais, ainda que irreais na materialidade.

Interessante o processamento da memória, sempre selectivo, tanto para a permanência, quanto para a dissolução na bruma cerrada do tempo. Ideias, pessoas, vidas pululam o próprio passado, mas essas mesmas são efémeras. Apesar de deixarem um rasto de vida, esvaem-se pela calada, quando ansiamos pelo seu regresso.

Eufémia é assim, esquece a memória que a criou, contorce-se com a catadupa de acontecimentos que a originou e reformula-se com o presente visível, ilusório, em que vive.

11.09.2005

Espaços sob a égide do desejo

Alguém dotado intelectualmente, propunha, à tempos, a existência de padrões que dirigiam a vida das pessoas, como se uma espécie de predestinação cíclica deixasse antever uma conduta ou uma linha de actuação - pelo menos, assim entendi as suas palavras.

De facto, outras ideias emergem.

Quanto a mim, as referências são a base da existência humana. Somos o que comemos! Alguém dizia com autoridade.

De facto, assim é. São os referenciais que nos transformam no que realmente somos, não um ou outro acto, mas o conjunto de coisas que, ao rodear-nos, nos foram moldando, continuamente.

São elas que determinam o dia-a-dia social, mesmo que a justificação para actos não seja visível.

Esta problemática, actual, leva-nos a questões de fundo no que se refere à sociabilidade e à forma com a interacção grupal acontece.

Qual a fora correcta de agir em sociedade!? É uma questão sem resposta (daquelas a que um demagogo responderia: - Ainda bem que me faz essa pergunta!).

Apenas podemos dizer que todas são possíveis, desde que os desejos sejam realizados de forma sustentável, com a obrigatoridedade de ser intenção do indivíduo cumpri-lo e não deixá-lo no assento etéreo onde subiu!

É que há desejos, que ninguém quer destruir pela execução! Lá está, é Zenóbia!

Zenóbia

10.28.2005

Espaços simbólicos

Tudo tem um sentido, uma simbologia própria, uma destacável forma de estar, um padrão! Antes, muita coisa é baseada em parâmetros construídos mentalmente e sem fundamento experimental.

A ideia de algo soar a, é a verdade neural sobre algo que pode não o ser, que pode ser imaginada ou apenas reflectida sem, no entanto, ser consentâneo com o que é verídico.

Mas as regras do jogo mudam, a diferença e o seu conhecimento, faz-nos pensar no paralelo como um contra-ponto... é o tal vasilhame que passa a ser de tara perdida, descartando-se para um qualquer contentor, despojado de conteúdo e sem o conteúdo que lhe dava objectivo... fica esquecido e passa a integrar outra qualquer coisa vitral!

A verdade, ainda que incompreensível e rebuscada, não deixa de ser, apesar de una.

Se a verdade é parametrizada e se ela é posta em causa, qual a chave que abre a porta da realidade!?


Zoé é assim!


Espaços desejados



Fedora é um desejo de vida.

O desejo imbérbere de querer seguir outras pisadas que não a da ovelha. Seguir por ali, por onde o sino não dobra e onde as gentes não cantam ao som da concertina.

Esse desejo persegue a humanidade, desde o almocreve que ia e vinha e era cobiçado pelas suas andanças, até ao peregrino que segue viagem até à próxima paragem.

Porém, o desejo só é como tal se o mantivermos inconsistente, apenas no pensamento. Dessa forma, não deixaremos fugir uma vontade, ficará para sempre como se fosse parte de nós, uma companheira, para toda a vida, que nos dá coragem de enfrentar a tão temível cobardia, essa velha manhosa que alça a saia para mijar, numa esquina qualquer de Londres.

Estranha ironia...

Espaços mentais

Maurília, não era uma cidade, antes, a própria memória encarnada... Recordava o tempo inexorável que ainda labuta, transformando tudo à sua passagem...

- Aspectos passados já não são presentes que, por sua vez, nunca serão como suía...

Do passado, uma ténue imagem perdura, alterada, evoluida, deixando cair máscaras e construindo muros, à medida que o relógio tiquetaqueia, sem parar, até à exaustão dos dias.

De Maurília apenas restam a memória de tempos idos e o nome impedernido.