3.18.2005

O diário de Mustafa: Bússola Política

Title: NEWS in www.imagebank.com



Cara amiga,

Se tem problemas existenciais, insónias ou não sabe o que fazer para o jantar.

Se vive deprimida, com dores menstruais ou precisa de saber se tem êxito com os homens, não deixe de fazer um teste à sua consciência.

Vá a http://www.politicalcompass.org/ e faça a sua carta astral! Em caso de ignorância extrema, poderá fazê-lo em português no jornal Público, pesquisando por Bússola Política.

Quanto a mim, caras amigas, fi-lo em português, pois nada como pouparmos neurónios com assuntos fúteis como: Direitos Humanos, Sexualidade, Consciência Social e Concepções Políticas, quando podemos ocupar o nosso tempo na lide doméstica e a coscuvilhar a vida da vizinha.


Até à próxima edição de,

O diário de Mustafa

3.17.2005

Estranho mundo o do futebol!

Após um dia proveitoso em plena capital, nada como um bom joguinho de futebol para relaxar!

Num estádio confortável e quentinho, para o frio que estava lá por fora, tinham que me calhar um bêbado, um charolo, um fedorento e, imagine-se, outro bêbado!

À minha esquerda, nada a declarar [iam comigo e, como provavelmente vão ler este post, é melhor não desdenhar!], companhia fabulástica, não fossem as trombas do rapaz que nos ofereceu o bilhete, quando, aos 73 m 13 s da segunda parte, o Penafiel marca mais um e eu não me contenho, desfaço-me em risos infantis provocando um mal-estar generalizado...

De um lado aconselhavam-me bom senso, uma vez que o bêbado, o charolo, o fedorento que já estava bêbado e o outro bêbado começavam a babar de raiva [insisti que era do excesso de cerveja, mas os outros não acreditaram...]!

À frente, rezavam para que continuasse, à espera que uma galheta vinda da direita me serenasse os ânimos e me fizesse engolir o prognóstico de 0-1 para o Penafiel!

Do outro lado... bom, do outro lado acho que não havia nenhuma opinião formada sobre... nada... a avaliar pelos comentários variados: - Anda filho da puta! Corre filho da puta! Chuta filho da puta! Defende filho da puta! Fooooda-se, pó caralho do bimbo!
Apenas começavam a achar que seria interessante descarregar alguma da frustração que o 0-2 propiciava...

Bom mas o caso é que, estando eu num habitat estranho, como se do Microcosmos se tratasse, eu era, de facto, o elemento parasitário!

O bêbado, o tóino... antes... os bêbados, estavam siderados com os impropérios que lançavam a uma e outra equipa, ao árbitro e até uns aos outros!
Mais contente ficou um ao avisar-me " – Vou dar uma mijinha!"... Considerei-me realizado, alto grau de satisfação na pirâmide de Maslow, finalmente sou feliz! [Porque raio de carga de água há-de alguém querer partilhar algo do género com outra? Achará isso um sinal de magnificência!?].
Seguravam um cartaz que, a avaliar pelas palavras do verde narigudo, fazia lembrar os bons velhos tempos do jardim infantil, em que rabiscávamos algo indescritível.... Como não o consegui ler, apesar de estar a 15 cm do dito papel, acredito na sua palavra.

La compañera, deliciada por estar num estádio do adversário, como se de uma clandestina se tratasse, vibrava em silêncio com a desgraça dos caseiros, febril rival do clube do curaçonhe!

O verde narigudo, feliz por arranjar bilhetes "à borla", via o jogo em silêncio com uma dor tão profunda que extravasava o seu olhar ao ver o inevitável...

À frente, o doador de órgãos, chorava os bilhetes oferecidos, pois, para além de "gajos da província", não eram do sistema... imagine-se... nem do Benfica eram! Ainda por cima, o baixinho gordo não parava de rir!!!

Eu... vibrante e efusivo como sempre, mantive-me calado, taciturno e com bico de pato até ao segundo golo. Aí, tive de sorrir... estava a saborear a desgraça dos outros... afinal, também sou humano!

3.15.2005

O sinistro caso do cartaz assassino!

Foto: Isabel Figueira por Triumph

Após uma viagem calma pelos caminhos (directos) de Portugal, eis que chegamos a Lx. Tudo tranquilo até que, sem nenhum aviso prévio, damos de caras com um mega cartaz, mesmo à saída da auto-estrada, com uma foto ampliada de um naco de carne!

Não, não existe uma única palavra em toda a superfície, apenas a imagem, carnuda, desculpem... desnuda de um bife! Sim, é assim que o transeunte da dita estrada (eu incluído) vê a rapariga... não interessam as suas qualidades pessoais, apenas a peça!

Faz-me lembrar a célebre apologia da carne brasileira, não interessa que ela não seja sujeita a exames veterinários, o que importa é encher a boca com o suco sanguinolento que ela larga, lembras-te?

Bom, retomando a história... dou por mim a contorcer-me para manter a visibilidade para o placard e, com isto, a acercar-me do carro do lado! Não fora a minha companheira de viagem ter-me alertado para a baba que escorria já pela camisa abaixo, teria sido mais um galardoado com a medalha de mérito da Grã-Ordem do Esmurra o carro ao Alfacinha!

Mais uns anos e os meus reflexos não seriam tão lestos... Estabilizo o carro e com ele o pensamento...

Penso na sociedade em que vivemos... no culto do corpo e da imagem. Como se do presente que recebemos, apenas nos interessasse o papel que o circunda, não nos importando com o objecto ofertado!

Não querendo aumentar o número de pessoas que me considera um louco, afirmo que aquela imagem mais não é do que o espelho do mundo....

Insinua a nudez... mas não mostra o rego! [Seria uma heresia.... e os valores? e a moral?]

Trabalha-se a imagem... mas não se quer que abra a boca! [Estraga a fotografia... é preciso estar quietinha e a parecer confortável... não, não! mantêm a perna retorcida... isso! Muito bem!]

Pede-se um sorriso... mas não se olha à tristeza! [Não quero lágrimas! Pronto, já passou, não se fala mais nisso, ok!?]

Enfim, pensámos no Ter, mas não queremos o Ser! [Teríamos de a aturar!]

2.16.2005

Com a entrada do Outono vão-se os banhos e fica... o chá!

Praia de Banhos por João Marques de Oliveira (1853 - 1927), 1884;

(óleo sobre tela) Dimensões: 46 x 49 cm;

Museu do Chiado (Lisboa);

Assim deveria começar a farpa do Queiroz e do Ortigão, quanto aos malefícios do chá!

Verdadeiramente irados por não mais verem, até ao próximo ano, as inspiradoras vestimentas de banhos das lindas donzelas que à época (1872) se passeavam pela praia, disparam um grito de revolta contra o culpado... o chá!
Acabadas as distracções, é este maléfico líquido o bobo que entretem as mesmas senhoritas que ontem se passeavam à beira mar.
Cá vai o tal manifesto anti-chá!
O chá não alimenta, não estimula, não refrigera, não medica, não embriaga, não tem nenhuma das virtudes que explicam a existência de todas as outras bebidas. Não alegra como o vinho generoso, não alimenta como o substancial chocolate, não esperta como o perfumado café. (...) O chá não tem melhor cor do que qualquer casaca desbotada, nem menos mau cheiro que qualquer outra infusão ou cozimento. Para o poderem tragar, os mais desvairados amadores misturam-lhe substâncias adicionais: deitam-lhe açucar, deitam-lhe leite, conhaque, rum, ou pingos de limão. Dir-se-ia, ao ver prepará-lo com semelhantes precauções tendentes a disfarçar-lhe o sabor, que é óleo de castor ou de fígados de bacalhau que se trata de beber. E, depois de tudo isto, não há ninguém de paladar tão corajoso que possa tragar uma pequena taça de chá senão aos poucos, golo por golo, às colherinhas.
A história do chá não é menos antipática que a cor, o cheiro, o sabor e os efeitos patológicos dessa ridícula droga. (...)
In As Farpas, por Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão. Setembro-Outubro de 1872.

2.15.2005

Os portuenses do Agostinho!

Os portuenses, em 1788, não eram os mesmo de hoje, apesar de agora se viver a era da normalização... Havia, na altura, grande homogeneidade na definição do habitante do Porto, senão vejamos como definia, o Agostinho, as gentes da "Imbicta":

Geralmente falando são os portuenses de estatura mais que mediana, têm a cor do rosto alguma coisa morena, mas animada de um rubicundo agradável, olhos e cabelos pretos, rostos compridos, corpos bem feitos e constituição robusta. Têm a alma nobre, sentimentos honrados e acções civis.

In COSTA, Agostinho Rebelo da - Descrição Topográfica e Histórica da cidade do Porto (...) datada 1788 (...). 3ª Ed. Lisboa: Fernesi, 2001.

2.03.2005

De Burro pelo Nordeste Transmontano



No Verão passado, um jovem citadino [e a sua companhia ocasional, a "Dentuça"] pegou numa velha burra mirandesa, a "Ceguinha" e, durante um mês, percorreu 350 quilómetros por caminhos antigos do Nordeste Trasmontano. Uma viagem romântica, quixotesca, ao velho Portugal, o Portugal das aldeias onde ainda perduram formas de vida singulares... In Jornal Público, 22.01.2005 (Texto e fotos de Pedro Fabião). Bem escrito e sentido! A não perder...

2.02.2005

Abraço Padrão




É um clássico utilizado em ocasiões formais.
Embora generalista, é benéfico e utilizável em todos - crianças e adlutos, homens e mulheres...

O abraço padrão pode significar:

a) Mmmm, gostaría de a conhecer melhor... essas formas são... proeminentes......

b) Parabéns!!! Esta ocasião é muito especial, que seja uma boa recordação para toda a vida! (qualquer que seja - aniversário; casamento; alturas, enfim, intímas e exploratórias....)

c) Ohhhh, grande!!!
Por aqui??
Tá tudo?
Sei que estás vestido bem demais para a festa de bêbados em que nos encontrámos! Pensavas que vinhas para o engate, farrapo? Pois bem, cá vai um abraço para te amarrotar o fato, dessa forma já parecerás um tipo da malta e perderás o pudor em te embebedares até às orelhas!

[Não era bem este o sentido do abraço padrão preconizado por Keating, mas penso que servirá!]

A Terapia do Abraço

A terapia dos abraços, embateu contra mim quando o livro A Terapia dos Abraços 2 de Kathleen Keating veio-me ter às mãos sem o querer, quase como impingido!
Percebi logo a intenção, tornar-me mais humano e mutar a minha carantonha macambuzia de todos os dias, não por estar mal disposto, mas antes por não estar alegre!

Deixemo-nos de desabafos e vamos ao que interessa!

Os tipos de abraços....

2.01.2005

Vox et calumpnia...



A vida sem o som da tua voz não faz o menor sentido!
Sem a tua presença...
desespero neste desterro voluntário em que me escondo
do desejo arrebatador de não mais te largar de meus braços,
de te possuir longamente e sem descanso!
O teu gosto... elixir da juventude e ópio viciante,
cuja falta nos faz cair num vazio.... um vazio igual ao da falta da tua voz!

Delaura a Sierva María in MÁRQUEZ, Gabriel García (1994) Del amor y otros demonios.

(se não o disse, devia...)

1.06.2005

"Os séculos não morrem, passam; são unidades do tempo, puramente artificiais..."


...

Assim definia o tempo Brito Camacho na obra Por Cerros e Vales.

O Tempo é uma nova descoberta para mim... Tantas acepções, tantos significados, tantas variantes para a mesma palavra, que não resisti a escrever alguma coisa sobre ele!

De significado simples, em oposição a eternidade, adquiriu, com a cientificação e especialização da sociedade, outras referências, que a tornaram na palavra mais complexa que conheço!

Vejamos:

Tempo pode ser de coagulação ou de hemorragia, se falarmos de análises clínicas;

pode ser astronómico quando Tempo solar, sideral uniforme ou equinocial médio;

pode ser irreal e infinito, quando filosófico;

relativo ou absoluto, aplicado à geografia;

conjuntivo... adverbial, na gramática;

pode assumir a forma de um velho, curvado ao peso dos anos, barbudo, dotado de asas e empunhando uma foice, símbolo da sua força destruidora... em iconografia;

litúrgico;

chuvoso ou soalheiro, em meteorologia...

moderato, adagio, larghetto, allegro, presto... na música!

pode ser, por fim, sinónimo de moeda japonesa de cobre, arredondada, e com um orifício central...

Tudo adjectiva... mas nunca deixa de ser artificial!


O Tempo perguntou ao Tempo, quanto Tempo o Tempo tem! O Tempo respondeu ao Tempo que o Tempo tem tanto Tempo quanto o Tempo, Tempo tem!

12.27.2004


Dança das Bacantes Vieira Portuense, 1799
Gravura de G. F. Queiroz
47 x 50 cm.
Biblioteca Geral da Faculdade de Ciências do Porto
Foto de: Emanuel Santos de Almeida

Das Bacantes às Nymphs.... que raio de tradução!

A Dança das Bacantes, gravura de Vieira Portuense de 1799, presente na Biblioteca Geral da Faculdade de Ciências do Porto, foi, para a época, o culminar do revivalismo arqueológico da Antiguidade que então se vivia.

Exposta no Salão da Royal Acamedy of Arts, nesse mesmo ano, com o número 868 do catálogo, apresentou-se com a fidedigna tradução de A dance of nymphs.
Nada a acrescentar se a tradução fosse a exacta...

O letrado tradutor, pelo contrário, adulterou todo o sentido da composição. De Bacantes excitantes e provocatórias no seu culto isotérico, a Ninfas, juviais e inocentes, belíssimas, sem dúvida, mas sem a carga eminentemente sexual das primeiras.

Senão vejamos o significado de uma e de outra:

Por Bacante, designamos as sacerdotisas do culto a Baco, as mulheres que tomavam parte nos bacanais.
De puritanas à procura da elevação do espírito e à santificação da vida, rapidamente o fanatismo pelo culto tomou proporções grutescas, em que os excessos, a embriaguês e o furor orgiástico procurava alcançar uma elevação superior. Correspondiam a três grupos: as Furiosas (verdadeiras ninfomaníacas que, depois de sugarem os fluídos corporais, antropofajavam os vários parceiros, segundo a minha fértil imaginação!); as Tíadas ou sacerdotisas (puras donzelas que não aceitavam a fornicação pura e simples, ao contrário, mascaravam-se com presopas gregas com vista a não serem reconhecidas, mantendo assim limpa a sua imagem santificada... que delírio!); e as Coras (verdadeiras devassas, do mais puro hardcore clássico, aliás, será esta a origem da palavra, já que a depravação chegava a tal ponto que faziam-se concursos públicos para se saber quem aguentava com mais indivíduos...[!?]).

Já as Ninfas... eram verdadeiras divindades! Personificavam a força da Natureza, especialmente o princípio húmido que presidia aos rios, fontes, etc. Para Homero, eram filhas de Zeus, nascidas das águas dos céus que, caminhando por vias secretas, apareciam à superfície sobre a forma de mananciais.

Corrigimos, pois, 205 anos depois, o erro do editor do catálogo!

Pelo erro pedimos as nossas desculpas!!!

12.22.2004

Dr. Mirandela... ou o cientista que sabia escrever!



- Tratado único do uso e administração do azougue nos casos em que é poïbido, Lisboa, 1708;
- Medicina Lusitana: socorro délfico aos clamores da natureza humana para total profligação de seus males, Amsterdão, 1710 (2ª ed., 1731)
e Âncora Medicinal para conservar a vida com saúde, Lisboa, 1721 (2ª ed., 1731; 3ª e 4ª em 1740 e 1754).
São alguns dos maiores êxitos de Francisco da Fonseca Henriques, doutor em Medicina pela Universidade de Coimbra, nascido em Mirandela em 6.10.1665 e morrido(?) em Lisboa em 17.4.1731.
Personagem principal das notícias anteriores, era, até hoje, um desconhecido para mim, tal como, acredito, para muitos... e continuará a ser, enquanto não derem uma espreitadela neste blog!!
Foi um cientista erudito. Médico de D. João V, era conhecido por Dr. Mirandela! Porquê?
Será difícil de encontrar uma resposta sustentada... Escreveu variadas obras entre 1708 e 1721.
A qualidade do que criou era tal, que foram feitas várias reedições de dois ou três livros seus - pasme-se, no país iletrado e rabugento que eramos (e que somos!?). A pureza de linguagem é marcante, motivada, talvez, pelo profundo conhecimento do latim que detinha.
De notar ainda a obra, Aquilégio medicinal em que se dá notícia das águas de caldas, de fontes, rios, poços, lagoas e cisternas do reino de Portugal e dos Algarves... dignos de particular memória, Lisboa, 1726. Última obra, a servir de corolário a uma vida dedicada à ciência e erudição... Triste a natureza humana quando nos confinamos a uma coluna de uma qualquer enciclopédia, após uma vida de sacrifício!

12.20.2004

Limões azedos...refrescam muito e previnem a podridão!


A farmacologia galénica do século II a.C. estudava já a importância das vitaminas no cardápio alimentar dos humanos. Assim, graduava a qualidade dos alimentos - quentes, frios, húmidos e secos - procurando, desta forma, criar uma hierarquia dos manjares terrenos.
Esta doutrina manteve-se ao longo do tempo.
O nosso velho conhecido Fonseca Henriques, no afamado Âncora Medicinal de 1731, refere-se precisamente a esta classificação, da qual retiramos alguns excertos ilustrativos da ordem alimentar em voga na época.
Acreditamos que pouca gente faria caso disso, até porque o sustento era o pão! Mas...também... ninguém lê esta notícia e nem por isso deixo de a escrever!!
Portanto lá vai, em honra do eloquente e facundo Henriques!
os cogumelos são frios e secos;
o melão e o tomate, frios e húmidos, como as bananas;
as uvas, quentes e húmidas;
as nozes, quentes e secas, assim como a pimenta, o cravo, o gengibre, etc.
o sumo de limões azedos refresca muito e é contra a podridão (...)
O autor defende, ainda, a existência de alguns alimentos para a sustentação do Homem segundo a idade e a estação do ano. Como exemplo, vejamos o que diz em relação ao Inverno:
No Inverno que é frio e húmido, hão-de ser secos e quentes; não só por se contrariarem às qualidades hiemais, mas para gastar, ou temperar as muitas serosidades e fleumas de que os corpos abundam.

12.19.2004

Café com arte...

O café ajuda... na flatulência!

No mesmo ano de entrada do primeiro barco com café, em Portugal, vindo do Brasil, o dr. Francisco da Fonseca Henriques edita a sua Âncora Medicinal, conferindo a este caro e estranho líquido as qualidades terapêuticas naturais de uma bebida elitista...

O café... é quente e seco; tem muitas partes ténues e balsâmicas, e muitro sal volátil como se colhe do cheiro que exala, e do suco oleoso que de si lança, com o qual corrobora grandemente o estômago e cérebro; refera as obstruções das entranhas e útero; e por isso é eficacíssimo em provocar a purgação dos meses... ajuda a digestão de alimento; é útil nos males da cabeça; impede a temulência ou a modifica, porque reprime e abate os vapores do vinho e dos mais licores espirituosos; conforta a memória, alegra o ânimo; é remédio nas vertignes, nos estupores, paralisisas, apoplexias, nos sonos profundos, nas hidropisias, nos catarros, nas fluxões do estilicídio ao bofe, na gota artética, nos males dos olhos, dos ouvidos, nas palpitações do coração, nas hipocondrias e flatulências, nas cólicas de causa fria, nas quedas, nas supressões de urina, que é mui diurético...

Um café por favor!...

De 1731, datará o primeiro carregamento de café do Brasil para Portugal. De facto, a Gazeta de Lisboa Oriental n.º 4 de 25 de Janeiro, elogia a pureza do café encontrado no sertão do Maranhão...

Nos últimos navios que chegaram do Maranhão veio algum café, que se descobriu no sertão daquele Estado, ainda de melhor qualidade que o do Levante (...)

A descoberta de tão aromático e extravagante néctar em solo da coroa, não foi dado por esquecido. Em Julho de 31 já o governo de D. João V isentava de direitos, por 12 anos, a entrada no país de canela e café do Brasil. De prorrogação em prorrogação, o comércio foi-se estabelecendo. Em 1765 a Companhia Geral do Maranhão e Grão-Pará, braço económico do estado e tais paragens, transportava já 3.000 arrobas de café para a metrópole.

História de um projecto não iniciado

Quioske é um blog de tudo e mais alguma coisa.

Mistura conceitos, hábitos, realidades e anseios, com o objectivo de criar um espaço livre onde possamos escrever o que nos der na "REAL GANA", como diria um certo tipo, num determinado sítio, e que, pela expressão, só poderia ser de Coimbra...

Cá vai, mandai posta de pescada e bitaites em bom português.