4.14.2005

Torrente literária que anda por aí, nos blogs mais insuspeitos!

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro querias ser?

Ivan... Ivan, o Terrível, parece-me ser a personagem mais destemida que conheci, por isso, ficaria com ele! Ou então o Coronel Chabert, esse poço de força sobre-humana que sobrevive à traição do próprio amor!

Já alguma vez ficaste apanhadinho por uma personagem de ficção?

Sim! Melquíades continua a ser a figura mais enigmática que conheci, ainda que suspeite que nunca tenha existido...

Qual o último livro que compraste?

Horas Más de G. G. Márquez.

Qual o último livro que leste?

Memoria de mis putas tristes de G. G. Márquez.

Que livro estás a ler?

O Amor em Tempos de Cólera de G. G. Márquez.

Que livros (cinco) levarias para uma ilha deserta?

Guia prático da sobrevivência por P. C. Oninha;

Manual da caça e pesca em 5 lições por R. Asp Utine;

Como construir uma canoa que não afunde por Sexta-feira;

Obras completas de J. Luís Borges por Jorge Luís Borges;

Enciclopédia Luso-Portuguesa por alguém... para alguém que nada tem para fazer!


A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?

Porque são compinchas do melhor!!!

Biblioteca de Babel

Ler Provoca Impotência

Virado pro Mundo

E os vencedores são:

Os que conseguirem sobreviver na ilha deserta!

Pensamentos transviados...

O peido é o grito do povo!... ou antes... o grito é o peido do povo?... ou então... ehhhh... não sei!
By GALECIUS, B. - O Vinho de Murça é Muito Bom. Porto: Pipas, 2005, p. 400.

4.13.2005

O poder autoritário do binómio 0_1

Recensão crítica à obra de Pierre Lévy, Máquina Universo: criação, cognição e cultura informática.

A era tecnológica em que vivemos, realidade perversa que auxilia e limita o Homem, apresenta-se como uma verdade inegável do nosso tempo. A ferramenta informática, organizadora laboral e relacional da comunidade global, possibilita também o controlo da informação e das pessoas em contexto social. Vivemos, pois, sob o efeito big brother – como se de um grande irmão controlador da vida dos “manos” se tratasse. A não bastar, se nos dá a ilusão do conhecimento universal, dá-nos também a solidão, única forma de tratar a informação.

Neste contexto de mudança, a própria realidade sensorial e espacial sofre transformações irreparáveis, muitas vezes negada pelo ser humano. É a luta desigual da terceira vaga informacional vs a resistência à mudança humana. É, em suma, a era tecnológica em acção.

O autor define o computador como reestruturador completo da aprendizagem e da imagem. De facto assim é, se vivemos uma era informática em que o acesso à informação se define de forma completa – tudo respira informação –, a resistência pessoal às clivagens do conhecimento não conseguem acompanhar a evolução natural de um produto construído e transformado, que acelerou o conhecimento de nós mesmos e do nosso contexto, colocando-nos num patamar egocêntrico de conhecimento – o Homem domina o Saber.

De forma autoritária, o computador assume o seu papel de redefinidor de formas, de conceitos estéticos e, até, artísticos, de tal forma que a vida ocidental gira à volta dele. É neste sentido que vislumbrámos um mundo transformado em linguagem assembler (binária), em que tudo é passível de ser transformado em consequências infinitas de zeros e uns, para melhor ser compreendido e passível de ser difundido. É a era global a funcionar na sua plenitude, ainda que dividida por uma barreira desenvolvimental – o hemisfério norte económica e socialmente desenvolvido e o hemisfério sul, a quem é vedado o desenvolvimento sustentado e consequente acesso à informação.

Em suma, o autor define a mutação antropológica da era tecnológica, segundo dois conceitos: necessidade - científica: de formar, de conhecer e de difundir; e liberdade - cultural: de criar, recriar, aceder e compreender a diferença em tempos de cólera obsessiva pela normalização, também ela necessária, a nível do acesso à informação, mas recusável, no que concerne ao seu conteúdo.

4.11.2005

Pensamentos transviados...

(...) cada um vem ao mundo com um número determinado de coitos, e os que não se usam por qualquer razão, própria ou alheia, voluntária ou forçosa, perdem-se para sempre (...)
Gabriel García Márquez, El amor en los tiempos de cólera, p. 165.

4.06.2005

O nascimento de um paradigma

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.
Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão.
Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada. Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas.
Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram. Depois de alguma surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada.
Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o facto.
Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.
"É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito" (A. Einstein)
Enviado por e-mail por João M.

4.03.2005

No comment

Photographer: James L. Stanfield
"Pastor of the world's largest religious body, Pope John Paul II incenses
an altar at Mass."
—From the National Geographic book Inside the Vatican, 1991.

4.01.2005

Parasitas...somos verdadeiros parasitas!

Title: Sea world... from above and from beneath

Em conversa com mi compañera, em pleno trânsito da VCI, surgiu a conversa da Humanidade e de como subjugamos o planeta às nossas vontades!

"- Parasitas... somos verdadeiros parasitas... tenho-o dito e as pessoas não acreditam, mas nascemos naturalmente avessos ao pacifismo e à coexistência pacífica! Nascemos prontos a devorar tudo o que nos satisfaça sem olhar a meios!"

Bom, parece-me que, de facto, a definição da humanidade como parasitária, é correcta, porém, a ideia freudiana de que nascemos tendencialmente maus, está, para mim, posta de lado.

Na minha opinião, nascemos inocentes, como se de um vazio cheio de potencialidade se tratasse. Vamos sendo moldado à medida que o contexto em que crescemos vai preenchendo o vácuo de ideias, estigmas, estereótipos, receios e vontades.

O nascimento não tem relação com a maldade, o problema é que o contexto humano belicista em que vivemos, faz com que nos tornemos felizes ignorantes, desrespeitando tudo o que são os valores intocáveis da coexistência pacífica com as outras espécies.

Defendo que somos realmente parasitas, no sentido em que garantimos a superioridade da espécie em relação às outras, quando o objectivo da existência é o de desenvolvimento com a diferença e não com a desgraça alheia.

Apesar disto, não culpo só o Zé, aquele que dá a paulada no bicho para lhe tirar a pele (esse, não percebe ou não quer perceber as repercussões do seu acto que já se tornou natural, como se aparafusasse uma porta!), culpo o que compra a estola, o cinto, a balize, porque tem acesso à informação e olha para o lado para não ver o processo!

É neste limbo de culpas que nos vamos safando das nossas, escrevemos umas coisas e a nossa consciência acalma... porém, tudo se mantém no lento ciclo, homicida, em que a Humanidade se movimenta!

"Parasitas... SOMOS verdadeiros parasitas!"

3.30.2005

Mar agitado, o das palavras!

Viajar! Deambular sem destino pelas palavras, ideias e concepções do autor e nossas...

Como é ternurenta a relação do escritor com o leitor! De uma generosidade imensa… daquele que nos oferece a sua realidade mental, mesmo ocasional, para que nós a possamos transformar em sentimentos e experiências, viajando, assim, por um mundo que não é o nosso mas que reflecte, muitas vezes, a nossa própria realidade sensorial...

De tal forma que vivemos outra vida, a da personagem, para dizermos o que ela não disse, mas que sabemos que queria dizer... viajamos pelo mundo das imagens transformadas em palavras…



Viajar... e viver, gritamos por viver, longe de tudo o que nos oprime e nos impede de respirar o ar puro da sinceridade!

Gritamos por vida, por liberdade de pensar e agir, por tudo o que nos prende ao presente e não nos deixa evoluir e crescer!

Tristeza, choramos por tristeza... de pensar, de sentir, de querer, mas não querer, não conseguir, não ser capaz de deixar e seguir em frente!

Ah livro maldito que nos fazes escrever o que não queríamos sequer pensar...

Ah livro ardiloso que nos queres dizer aquilo que sabemos, mas não queríamos saber!

Ah livro labiríntico que nos impele a entrar mas não nos deixa sair!

Ah livro amigo, confidente, sentido, que nos explicas o que conhecemos mas não queremos ver!

3.26.2005

Fica na merda, meu amigo... é o que te desejo!

Há muitos, muitos anos [no tempo em que os animais falavam e em que Melquíades, o sábio, influía no espírito de José Arcádio Buendía, no sentido deste inventar a fabulosa máquina de cuspir gelo], o povo da erva falava, sonhava e também sofria com os contratempos do dia-a-dia!
Pois o caso é que um certo dia, um pintassilgo distraído irrompeu por uma varanda dentro, filado nas migalhas deliciosas de um pão recesso com vários dias de exposição! Porém, a janela, fechada, fê-lo gurar o intento, e ao invés de comer, foi comido por lorpa ao esbarrar contra o vidro e ao cair, estatelado, num viçoso jardim...
Em estado de choque, não se mexia... porém, alguém que por aí passava, ao vê-lo naquele estado vegetativo decidiu pegar nele e, profetizando que apenas uma quente e fofinha bosta de vaca o poderia aquecer e aclamar, decidiu abrir um buraco no dejecto para o colocar bem aconchegado [que raio de coragem... mexer na merda!].
O pintassilgo, ainda meio grogue com o terrível aroma natural que dele já emanava, começa a espernear, queria, legitimamente, sair do seu fofo cafofo...
Porém, nessa mesma altura, lá no alto, majestático, um falcão avista-o, e, num ápice, cai sobre ele, matando-o e comendo-o... até aos ossos... todinho!
Esta é a triste e fugaz história do zé passarinho que, da vida, conseguiu aprender uma única lição e que eu passo a transcrever, uma vez que este foi o seu último desejo!
Quando estás na merda, deixa-te estar quentinho e aconchegado... pois quem te lá pôs, podia não te querer mal, e quem de lá te vai tirar, pode não o fazer por bem!
É, realmente, uma história do car***o, a do zé passarinho! Paz à sua alma...

3.25.2005

Quando a calmaria surge... fica o silêncio!

O leitor tresmalhado que a este blog vem ter, (tive 3 visitas no dia de ontem!) deve ter indagado do porquê da inconstante colocação de posts no quioske!
Bom, é que, quando nos referíamos à falta de inspiração, estavamos a referir-nos ao nosso caso particular!
De facto, foi-se a inspiração e como ainda não subejou o talento, fica o silêncio!

Esperamos em breve satisfazer os mais cupiosos intímos com uma história de arromba que ainda não nasceu, nem no papel nem no intelecto...

Aguardo, pois, notícias minhas a qualquer momento!

3.23.2005

Quando a inspiração se vai...

A inspiração é algo que surge quando menos esperámos!

Outras, como esta, simplesmente não surge!

Por vezes, a leitura de um bom livro, dá-nos pica para nos colocarmos na pele da personagem, submergirmos na história narrada e apreciarmos o que se passa lá em baixo, no sub-mundo da ilusão!

De tal forma que não queremos acordar dessa neblina que nos embrenha!

Pensei em escrever sobre o tabaco... nããã...hoje não é o dia! Não estou com paciência para pesquisar e construir um texto que não seja este, o das ideias, infundadas e inconsequentes!

Ideias imberbes e inconstantes que mais não são do que prefixos perdidos num mar de figuras de estilo (obrigado bárbulo!) que mais não fazem do que florear uma certa verdade... quando a inspiração se vai....

3.22.2005

Memória das minhas putas tristes ou, a minha realidade romanceada!

Saiu um livro novo!

Quer dizer, não saiu, já tinha saído, mas só agora chegou a Portugal o novo livro de Gabo.

A história de um ancião que, para festejar os seus 90 anos, decide oferecer a ele mesmo uma noite louca de prazer com uma adolescente tenra.

Seria de pensar que tudo acabaria com a morte do viejo, depois do esforço físico exacerbado! De facto, assim é: morre a solidão empedernida que com ele viveu até aí.

Nasce o amor, tal como com María dos Prazeres que se havia apaixonado, no fim da vida, pelo motorista que a salvou da borrasca!

Um amor correspondido, aquele que fez Ariza comer pétalas de rosa apenas para sentir o que pensava ser o cheiro da sua amada! O mesmo que fez Delaura abdicar dos seus princípios ou que fez Sierva María aceitar os padrões ocidentalizantes....

Esse mesmo, que fez Rebecca matar o seu possante Buendía, ou aquele que manteve Amaranta só, cozendo, lentamente, a sua própria mortalha, esperando a morte...

Bom, esse mesmo que faz o transviado leitor cantar, sorrir, chorar... berrar...BERRAR!

Ao velho, deu-lhe para pedalar...

Tão importante quanto a possibilidade do amor aos 90, toca pela ternura com que define a velhice e pela forma como torna perceptível - para quem nunca por lá passou, mas para lá caminha - o misto de nostalgia/saudade com que se vê o passado e se estranha o presente, mesmo quando influímos na opinião de outros.

Memórias sobre o amor e outros demónios, quando se anunciava a morte do patriarca solitário!

3.18.2005

O diário de Mustafa: Bússola Política

Title: NEWS in www.imagebank.com



Cara amiga,

Se tem problemas existenciais, insónias ou não sabe o que fazer para o jantar.

Se vive deprimida, com dores menstruais ou precisa de saber se tem êxito com os homens, não deixe de fazer um teste à sua consciência.

Vá a http://www.politicalcompass.org/ e faça a sua carta astral! Em caso de ignorância extrema, poderá fazê-lo em português no jornal Público, pesquisando por Bússola Política.

Quanto a mim, caras amigas, fi-lo em português, pois nada como pouparmos neurónios com assuntos fúteis como: Direitos Humanos, Sexualidade, Consciência Social e Concepções Políticas, quando podemos ocupar o nosso tempo na lide doméstica e a coscuvilhar a vida da vizinha.


Até à próxima edição de,

O diário de Mustafa

3.17.2005

Estranho mundo o do futebol!

Após um dia proveitoso em plena capital, nada como um bom joguinho de futebol para relaxar!

Num estádio confortável e quentinho, para o frio que estava lá por fora, tinham que me calhar um bêbado, um charolo, um fedorento e, imagine-se, outro bêbado!

À minha esquerda, nada a declarar [iam comigo e, como provavelmente vão ler este post, é melhor não desdenhar!], companhia fabulástica, não fossem as trombas do rapaz que nos ofereceu o bilhete, quando, aos 73 m 13 s da segunda parte, o Penafiel marca mais um e eu não me contenho, desfaço-me em risos infantis provocando um mal-estar generalizado...

De um lado aconselhavam-me bom senso, uma vez que o bêbado, o charolo, o fedorento que já estava bêbado e o outro bêbado começavam a babar de raiva [insisti que era do excesso de cerveja, mas os outros não acreditaram...]!

À frente, rezavam para que continuasse, à espera que uma galheta vinda da direita me serenasse os ânimos e me fizesse engolir o prognóstico de 0-1 para o Penafiel!

Do outro lado... bom, do outro lado acho que não havia nenhuma opinião formada sobre... nada... a avaliar pelos comentários variados: - Anda filho da puta! Corre filho da puta! Chuta filho da puta! Defende filho da puta! Fooooda-se, pó caralho do bimbo!
Apenas começavam a achar que seria interessante descarregar alguma da frustração que o 0-2 propiciava...

Bom mas o caso é que, estando eu num habitat estranho, como se do Microcosmos se tratasse, eu era, de facto, o elemento parasitário!

O bêbado, o tóino... antes... os bêbados, estavam siderados com os impropérios que lançavam a uma e outra equipa, ao árbitro e até uns aos outros!
Mais contente ficou um ao avisar-me " – Vou dar uma mijinha!"... Considerei-me realizado, alto grau de satisfação na pirâmide de Maslow, finalmente sou feliz! [Porque raio de carga de água há-de alguém querer partilhar algo do género com outra? Achará isso um sinal de magnificência!?].
Seguravam um cartaz que, a avaliar pelas palavras do verde narigudo, fazia lembrar os bons velhos tempos do jardim infantil, em que rabiscávamos algo indescritível.... Como não o consegui ler, apesar de estar a 15 cm do dito papel, acredito na sua palavra.

La compañera, deliciada por estar num estádio do adversário, como se de uma clandestina se tratasse, vibrava em silêncio com a desgraça dos caseiros, febril rival do clube do curaçonhe!

O verde narigudo, feliz por arranjar bilhetes "à borla", via o jogo em silêncio com uma dor tão profunda que extravasava o seu olhar ao ver o inevitável...

À frente, o doador de órgãos, chorava os bilhetes oferecidos, pois, para além de "gajos da província", não eram do sistema... imagine-se... nem do Benfica eram! Ainda por cima, o baixinho gordo não parava de rir!!!

Eu... vibrante e efusivo como sempre, mantive-me calado, taciturno e com bico de pato até ao segundo golo. Aí, tive de sorrir... estava a saborear a desgraça dos outros... afinal, também sou humano!

3.15.2005

O sinistro caso do cartaz assassino!

Foto: Isabel Figueira por Triumph

Após uma viagem calma pelos caminhos (directos) de Portugal, eis que chegamos a Lx. Tudo tranquilo até que, sem nenhum aviso prévio, damos de caras com um mega cartaz, mesmo à saída da auto-estrada, com uma foto ampliada de um naco de carne!

Não, não existe uma única palavra em toda a superfície, apenas a imagem, carnuda, desculpem... desnuda de um bife! Sim, é assim que o transeunte da dita estrada (eu incluído) vê a rapariga... não interessam as suas qualidades pessoais, apenas a peça!

Faz-me lembrar a célebre apologia da carne brasileira, não interessa que ela não seja sujeita a exames veterinários, o que importa é encher a boca com o suco sanguinolento que ela larga, lembras-te?

Bom, retomando a história... dou por mim a contorcer-me para manter a visibilidade para o placard e, com isto, a acercar-me do carro do lado! Não fora a minha companheira de viagem ter-me alertado para a baba que escorria já pela camisa abaixo, teria sido mais um galardoado com a medalha de mérito da Grã-Ordem do Esmurra o carro ao Alfacinha!

Mais uns anos e os meus reflexos não seriam tão lestos... Estabilizo o carro e com ele o pensamento...

Penso na sociedade em que vivemos... no culto do corpo e da imagem. Como se do presente que recebemos, apenas nos interessasse o papel que o circunda, não nos importando com o objecto ofertado!

Não querendo aumentar o número de pessoas que me considera um louco, afirmo que aquela imagem mais não é do que o espelho do mundo....

Insinua a nudez... mas não mostra o rego! [Seria uma heresia.... e os valores? e a moral?]

Trabalha-se a imagem... mas não se quer que abra a boca! [Estraga a fotografia... é preciso estar quietinha e a parecer confortável... não, não! mantêm a perna retorcida... isso! Muito bem!]

Pede-se um sorriso... mas não se olha à tristeza! [Não quero lágrimas! Pronto, já passou, não se fala mais nisso, ok!?]

Enfim, pensámos no Ter, mas não queremos o Ser! [Teríamos de a aturar!]

2.16.2005

Com a entrada do Outono vão-se os banhos e fica... o chá!

Praia de Banhos por João Marques de Oliveira (1853 - 1927), 1884;

(óleo sobre tela) Dimensões: 46 x 49 cm;

Museu do Chiado (Lisboa);

Assim deveria começar a farpa do Queiroz e do Ortigão, quanto aos malefícios do chá!

Verdadeiramente irados por não mais verem, até ao próximo ano, as inspiradoras vestimentas de banhos das lindas donzelas que à época (1872) se passeavam pela praia, disparam um grito de revolta contra o culpado... o chá!
Acabadas as distracções, é este maléfico líquido o bobo que entretem as mesmas senhoritas que ontem se passeavam à beira mar.
Cá vai o tal manifesto anti-chá!
O chá não alimenta, não estimula, não refrigera, não medica, não embriaga, não tem nenhuma das virtudes que explicam a existência de todas as outras bebidas. Não alegra como o vinho generoso, não alimenta como o substancial chocolate, não esperta como o perfumado café. (...) O chá não tem melhor cor do que qualquer casaca desbotada, nem menos mau cheiro que qualquer outra infusão ou cozimento. Para o poderem tragar, os mais desvairados amadores misturam-lhe substâncias adicionais: deitam-lhe açucar, deitam-lhe leite, conhaque, rum, ou pingos de limão. Dir-se-ia, ao ver prepará-lo com semelhantes precauções tendentes a disfarçar-lhe o sabor, que é óleo de castor ou de fígados de bacalhau que se trata de beber. E, depois de tudo isto, não há ninguém de paladar tão corajoso que possa tragar uma pequena taça de chá senão aos poucos, golo por golo, às colherinhas.
A história do chá não é menos antipática que a cor, o cheiro, o sabor e os efeitos patológicos dessa ridícula droga. (...)
In As Farpas, por Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão. Setembro-Outubro de 1872.

2.15.2005

Os portuenses do Agostinho!

Os portuenses, em 1788, não eram os mesmo de hoje, apesar de agora se viver a era da normalização... Havia, na altura, grande homogeneidade na definição do habitante do Porto, senão vejamos como definia, o Agostinho, as gentes da "Imbicta":

Geralmente falando são os portuenses de estatura mais que mediana, têm a cor do rosto alguma coisa morena, mas animada de um rubicundo agradável, olhos e cabelos pretos, rostos compridos, corpos bem feitos e constituição robusta. Têm a alma nobre, sentimentos honrados e acções civis.

In COSTA, Agostinho Rebelo da - Descrição Topográfica e Histórica da cidade do Porto (...) datada 1788 (...). 3ª Ed. Lisboa: Fernesi, 2001.

2.03.2005

De Burro pelo Nordeste Transmontano



No Verão passado, um jovem citadino [e a sua companhia ocasional, a "Dentuça"] pegou numa velha burra mirandesa, a "Ceguinha" e, durante um mês, percorreu 350 quilómetros por caminhos antigos do Nordeste Trasmontano. Uma viagem romântica, quixotesca, ao velho Portugal, o Portugal das aldeias onde ainda perduram formas de vida singulares... In Jornal Público, 22.01.2005 (Texto e fotos de Pedro Fabião). Bem escrito e sentido! A não perder...

2.02.2005

Abraço Padrão




É um clássico utilizado em ocasiões formais.
Embora generalista, é benéfico e utilizável em todos - crianças e adlutos, homens e mulheres...

O abraço padrão pode significar:

a) Mmmm, gostaría de a conhecer melhor... essas formas são... proeminentes......

b) Parabéns!!! Esta ocasião é muito especial, que seja uma boa recordação para toda a vida! (qualquer que seja - aniversário; casamento; alturas, enfim, intímas e exploratórias....)

c) Ohhhh, grande!!!
Por aqui??
Tá tudo?
Sei que estás vestido bem demais para a festa de bêbados em que nos encontrámos! Pensavas que vinhas para o engate, farrapo? Pois bem, cá vai um abraço para te amarrotar o fato, dessa forma já parecerás um tipo da malta e perderás o pudor em te embebedares até às orelhas!

[Não era bem este o sentido do abraço padrão preconizado por Keating, mas penso que servirá!]