7.20.2005

Novas da ciência

Existe já há algum tempo um site com informação sobre ciência em Portugal e no mundo, com as mais frescas novidades científicas da Humanidade, de conhecimento obrigatório para quem vive na sociedade informacional em que nos inserimos.
Pena é que não traga mais novidades sobre as ciências humanas e sociais, nomeadamente sobre as ciências históricas e a ela relacionadas.

A não perder!

7.19.2005

"O teu rasto de sangue na neve" revisitado

Após uma longa ausência por motivos de alegria maior, cá estou de novo, para mais uma posta em bom português!
Ontem à noite, refastelado por entre uma luminosidade que oscilava entre o laranja decorativo e o ocre incandescente, entrei pelo mundo da cinematografia europeia e assisti ao milagre da vida, ou antes ao "A Vida é um Milagre" de Emir Kusturica.
Com sentido humanista, relata a efervescência dos Balcãs, na Bósnia de 1992, visto pelos olhos de Luka, um engenheiro ferroviário sérvio e sua comandita.
Onde outrora Muçulmanos e Sérvios conviviam pacificamente, estala a guerra e com ela, libertam-se os ódios...
Porém, nem tudo são espinhos, por meios transviados [ao meu gosto], o amor nasce por entre os escombros, ainda que pertencendo a barricadas opostas.
Chamou-me a atenção a cena em que Sabaha - Muçulmana - é atingida e Luka - Sérvio - arrasta-a pela neve à procura de ajuda...
O seu rasto de sangue mantém-se durante toda a cena, como se Kusturica, lendo "O teu rasto de sangue na neve" [conto de G. G. Márquez em Doze Contos Peregrinos] quisesse recriá-lo no cinema, apesar de o inverter no take final [de forma magistral para quem conhece o conto, mas de forma previsível para todos os outros], não fora o objectivo da película servir de plataforma de entendimento entre as facções beligerantes, demonstrando que a convivência é pacífica quando impera o Amor.
Quanto a mim um filme a não perder, pela música, pela fotografia, pelo humor brejeiro balcânico e pela genialidade de realização.

7.13.2005

Mais um para a comandita!

Nasceu no passado dia 11 de Julho um espaço dedicado ao Metal. É o Metalurgia Sonora, da autoria de Galecius e que promete ser um espaço de divulgação dessa barulheira afinada designada de Heavy Metal.

"Hail to Metal" é o mote de apresentação do espaço alternativo, com potencialidades informativas muito interessantes!

7.11.2005

O critério das moscas

Conto de Luís Manuel Ruiz, vencedor do Primeiro Prémio Novela Curta da Universidad de Sevilla, editado em Portugal pela Quarteto Editora, levanta o véu ao mundo intrincado da ciência histórico-literária do Renascimento, vista pelos olhos de Matías Belaval, um professor universitário que sofre de amnésia após um suposto acidente de viação.
A obsessiva procura do passado por entre ocultismo, misticismo e morte, desemboca no auto-conhecimento de um indivíduo infeliz na sua existência, onde apenas o critério das moscas faz algum sentido...
Interessante...

7.07.2005

7.05.2005

Ideias fundamentadas

A imagem, veículo da aprendizagem
De que forma pode a imagem ser contributiva para o processo de ensino-aprendizagem?
Isabel Calado[1] define de forma conciliadora a relação entre elas. A autora mencionada a não linearidade entre imagem e processo de ensino-aprendizagem. Se os educadores reconhecem as potencialidades da imagem como auxiliar da comunicação pedagógica, utilizando-a como forma de transmissão de conteúdos, de motivação para novas aprendizagens, ou como forma de captar a atenção dos formandos e ajudá-los à memorização, pensamos nós que o seu uso é, cada vez mais, fundamental para o processo de construção de conhecimento. Fundamentámos a nossa afirmação na sociedade de informação em que vivemos e na necessidade de interpretação da imagem massificada que, todos os dias, nos fulmina, através das variadas caixas mágicas que nos rodeiam.

Será, pois, este um dos fracassos do ensino: a inadequação da Escola à realidade exterior. Aqui se inclui a incipiente utilização de recursos iconográficos como meio de incentivar à interpretação, não à memorização.

Sobre este assunto, Duborgel[2], diz-nos que a imagem não só ensina e instrui como também educa, catequiza e diverte. Em parte discordámos da afirmação. Ela própria é veículo de conhecimento, de aprendizagem, só por si não ensina nem educa, apenas quando interpretada, permite a construção do conhecimento.

Apoiado no espectro de imagem como suporte iconográfico, Duborgel ter-se-á esquecido da necessidade da análise iconológica do objecto visualizado. Se o autor define a imagem como algo representativo de uma acontecimento ou facto, como se de um retrato se tratasse, Panofsky vai muito além dessa visão simplista, defendendo a importância do estudo exaustivo e interpretação do documento iconográfico em causa, como forma de aprendizagem seriada e consistente[3].

Duborgel continua com a sua definição simplista, diz-nos que a imagem é um instrumento de informação, o reservatório de conhecimento, saber ou pré-saber, documento ou pré-documento, facto de motivação, discurso, ensinamento e saber ilustrados, meio de ilustração da aula, do discurso e do saber, utensílio de memorização e de observação do “real”, etc.
Definiríamos, ao invés, de forma menos rebuscada: a imagem é forma de atingir o conhecimento sobre determinado acontecimento ou acto, através da interpretação dos seus componentes (forma, objecto(s) representados, autor, contexto).

Não pretendemos com isto, desmontar a visão de Duborgel sobre a importância da imagem, apenas reforçar o facto de ser incompleta e de não se reportar aos factos realmente importantes que definem este instrumento como fundamental no processo de ensino-aprendizagem: a veiculação de informação passível de ser tratada.

[1] CALADO, Isabel (1994). A utilização educativa das imagens. Porto: Porto Editora, 1994.

[2] DUBORGEL, Bruno (1995). O imaginário em Pedagogia. Lisboa: Instituto Piaget.

[3] Iconologia deriva da palavra eikonología (linguagem figurada) em oposição à palavra Iconografia, que deriva da palavra eikonographía (pintura de retratos). Cfr. PANOFSKY, E. (1984). Estudios sobre iconología. Madrid: Ed. Alianza.

7.04.2005

Pensamentos transviados!

Read my lips... N-O--M-O-R-E--T-A-X-E-S!!

SÓCRATES, J. (2004). Campanha eleitoral extraordinária, após a panelinha do Santana. Ed. Dáparatodos, p. 24.


Sócrates e Santana, no seu melhor!

7.01.2005

Novas do passado!

Carta de James Cook dirigida a Philip Stephens, Secretário do Almirantado.

Momentos antes da viagem de Cook no HMS Endeavour na sua primeira viagem de exploração, pedindo alguns instrumentos matemáticos e científicos, tais como bússolas, réguas e teodolitos [não sei se é assim que se designa em português], usado para medir ângulos. Estes, serão utilizados nas suas pesquisas científicas e na elaboração de mapas para o qual estava contratado pela Royal Navy e pela Royal Society.

Para tal, Cook levou consigo pessoal especializado na elaboração de mapas, artistas e cientistas (nomeadamente geógrafos e biólogos, incluindo Joseph Banks, um biólogo conhecido à altura e Charles Green, um astrónomo, cuja principal função era a de observar o movimento do planeta Venus a partir da ilha Tahiti. Assim que este objectivo estivesse comprido, Cook deveria navegar para Sul e explorar zonas ainda desconhecidas. O conhecimento geográfico ainda não tinha chegado a essas zonas do planeta, porém, acreditava-se na existência de um grande continente ainda por descobrir.

A viagem foi um sucesso para Cook. Mapeou a costa da Nova Zelândia e a costa Este da Austrália, a qual reclamou para a coroa britânica. Delimitou mais de 5.000 milhas de costa ao mapa britânico do mundo. Trouxe com ele vários desenhos, pinturas e amostras de plantas e animais que não eram, até então, conhecidos no mundo ocidental.

Cook fez mais duas importantes viagens. Entre 1772 e 1775 voltou do Pacífico Sul onde continuou a mapear as terras encontradas.

Em 1776 foi enviado novamente com vista a procurar uma passagem a Norte entre o Pacífico e o Atlântico. Encartou grande parte da costa noroeste da América, tornando-se no primeiro europeu a visitar o Hawai, entrando em confronto com os indígenas que o mataram.
Para mais informações, consultar Cook's first voyage of discovery in

6.27.2005

O Aroma da Goiaba





Ao grande Judas devo o prazer de ter, diante mim, mais um livro do Gabito!


Desta vez, a Dom Quixote edita um conjunto de entrevistas publicadas em 1982 de Plinio Apuleyo Mendoza ao seu amigo Gabo.

Com esta compilação de entrevistas, buscam a génese de contos e romances que transformaram Márquez no ícone de muitos seres pensantes...

Cá vai o teaser para quem o apanhar!


Si formalmente El olor de la guayaba es una prolongada conversación del escritor y periodista Plinio Apuleyo Mendoza con su viejo amigo Gabriel García Márquez -lo que da ocasión a éste para desgranar con vivacidad sus remembranzas, juicios, opiniones y convicciones- sus contenidos van mucho más allá: en El olor de la guayaba bien pueden encontrarse las claves de un proceso, creador y creativo, de singular riqueza. De la mano de Mendoza, García Márquez desvela el mundo que refleja su obra -hasta transfigurarlo- con la magia de la palabra: la calidez y el color del Caribe, el universo mítico de sus pobladores, la extraña mentalidad de sus extraños prohombres y caudillos. Una obra en la que el compromiso con la emoción y el compromiso con la razón se dan la mano, para ofrecer la más sugerente aproximación a un ser que de puro complejo puede permitirse el lujo de ser nítido.

Palavras soltas à volta de uma imagem!




Praia,

Sol,

Bifes,

Peteca,

Compañeros,

Diversão

....

Douro acima...até à Rede!

Com historial de peso mas ainda muito pouco estudado, o Solar da Rede, cheio de glamour e transpirando história, apresenta-se, para mim, como um espaço memorável e a rever quanto antes...




A entrada, sumptuosa e definidora de um espaço nobilitado, recebe os transeuntes que, esclarecidos quando às belezas do Douro, apenas o conhecerão na sua plenitude com a permanência em tal local...


Longe da civilização, respirámos o ar perfumado pelos pólenes que pairam, por esta altura, por todo o lado.... Da varanda, a populaça está longe, a mente vagueia pelos vinhedos... respira-se e sente-se o outrora chamado de país do Douro!



O bem estar burguês toma conta de nós... o chilrear dos pássaros e o sussurro das árvores enchem os ouvidos de paz... não fosse uma vara de americanos a berrar a plenos pulmões ao verem uma piscina... um raio de um tanque mínimo, apenas para humedecer as plantas! Porém, tudo é suportável com o vislumbre do Douro ali em baixo! Ao longe, dois cotas com muito bom gosto tentam relaxar por entre os Yeah men... this is cool dos bifes transatlânticos!


Do quarto, afastado do Solar, como se quer, apenas as vespas servem de companhia.... Já agora, ficas a saber que estava um bicho enorme junto da janela quando chegámos... com asas e tudo!!! Foi exterminado sem pudores... era isso ou a fuga apressada do cafofo!!! Escolhi a primeira!



Deslumbrante, o rio sem fim desvanece por entre um sfumatto mais pictórico que real... Por vezes penso que o Douro não é real, antes uma composição à primitivo português, que tudo deixa transparecer até ao mais ínfimo pormenor, sem esquecer a perspectiva a esfumar-se com as distâncias, ao bom gosto renascentista de Leonardo!


A saudade de uma visão inebriante de verdes e azuis, deixa a melancolia de lá voltar em breve... Foi a Rede, poderia ser outro qualquer lugar do Alto Douro Vinhateiro!

6.22.2005

Manta de Retalhos VIII

Muito embora ninguém esteja a passar cartolina a esta fantástica história, o que é certo é que os ânimos não esmorecem e continuamos a luta contra a afasia cultural que se vive neste país.
Assim, o excelentíssimo Mannanan mandou mais uma posta de pescada para a nossa tão aconchegante manta!

6.17.2005

Manta de Retalhos VII

Andámos algum tempo sem tecido mas, depois de termos massacrado umas ovelhas, já há lã com fartura!
Tosquiador de serviço Gaja Boa


Foram estas as massacradas

6.16.2005

Novas do passado!

Assim eram caracterizadas as enfermeiras pelo periódico The Times, em 1857.
Ensinada por Comités, catequizada por capelães, mal vista pelos tesoureiros e mordomos, descomposta pelas parteiras, odiada pelos cirurgiões, ameaçada pelos criados, censurada e desfeiteada pelos doentes, insultada quando velha e feia, tratada com arrogância quando de meia idade e bem-humorada e seduzida quando jovem e bonita, é o que se espera de qualquer mulher nas mesmas circunstâncias...

The Times, 15 de Abril de 1857
P.S. Cá vai a primeira posta sobre o que tenho feito no mundo real!

6.13.2005

Aos memoráveis que fizeram a história... Anónimos e conhecidos!

Porque os momentos fatídicos nos fazem recordar o peso do Homem singular na Humanidade, uma homenagem a todos eles... Porque todos são memoráveis!


Caption: Cemitério de Igualada - Barcelona, Espanha

6.05.2005

Mais um a estrebuchar!!!

Manannan, a partir de uma criteriosa escolha de artigos, mais ou menos conhecidos, transcreve a história obrigando à reflexão sobre o peso do passado, para a (in)compreensão do presente!

A não perder!

6.03.2005

Pensamentos transviados

É do caralho meus senhores, é do caralho!


MANO, P. (2005). Comentário ao post A Bem da Saúde Masculina. Porto: Ed. Quioske. p. 38.


Nota do editor: Em homenagem a esse grande pai de família, que anda a comentar desta forma os posts do irmão!