7.25.2005

Voyeurs eruditos!

Ao passar os olhos pelos comentários ao último post, percebi que a curiosidade quanto às feições de quem escreve algo, é inata!

Pretendemos sempre saber qual a máscara que produz tal coisa, sendo ela interessante ou não... Não me excluo desse rol de gente ávida por saber quem é o outro, somos voyeurs!

Não me considero um mirone, daqueles que perscrutam as frinchas das portas à espera de uma silhueta, antes, sou daqueles que navegam sem cessar com vista a descobrir uma identidade, chamo-lhe o voyeurismo erudito. Deixamos a privacidade para cada um e apoiámo-nos na necessidade de vestirmos as palavras com um corpo, um rosto, uma personalidade.

Isto dos blogs, tem muito que se lhe diga... Aqui, podemos ser quem nunca fomos, ser o que somos mas não admitimos ser ou, simplesmente, ser.

Acredito que exista um padrão quanto à escrita e ao tipo de posts que cada categoria de pessoa inculca no seu espaço privado, mas não pretendemos fazê-lo, até porque a vida puxa-nos para outras áreas de estudo que não a sociologia da computação [será assim que se chama ao dito campo de estudo?].

Continuo a querer saber quem usa a tal presopos, mas continuo a não querer revelar a minha e de meus astutos compinchas!

Devo porém relevar que os nomes são mesmo os indicados, não se admirem, somos todos habitantes da longínqua Macondo...

7.22.2005

Onde está o Wally?

Fonte: Velhinhos rijos comó aço!
Author: Marta Jorge

Legenda (da esquerda para a direita, de cima para baixo):

1 - Gervásio Antunes - Caixeiro Viajante;
2- Asdrubal Bechiguento - Coveiro;
3- Fagundes Salsaparrilha - Mordomo;
4- Mafomedes Mustaffa - Merceeiro;
5- Jermelindo Virulento: Vendedor da banha da cobra;
6- Virgolino Loureiro - Provador de Cognac;
7- Escariotes Carrasco - Vendedor de Indulgências;
8- Dibúrcio Santiago - Bordelista.

7.20.2005

Novas da ciência

Existe já há algum tempo um site com informação sobre ciência em Portugal e no mundo, com as mais frescas novidades científicas da Humanidade, de conhecimento obrigatório para quem vive na sociedade informacional em que nos inserimos.
Pena é que não traga mais novidades sobre as ciências humanas e sociais, nomeadamente sobre as ciências históricas e a ela relacionadas.

A não perder!

7.19.2005

"O teu rasto de sangue na neve" revisitado

Após uma longa ausência por motivos de alegria maior, cá estou de novo, para mais uma posta em bom português!
Ontem à noite, refastelado por entre uma luminosidade que oscilava entre o laranja decorativo e o ocre incandescente, entrei pelo mundo da cinematografia europeia e assisti ao milagre da vida, ou antes ao "A Vida é um Milagre" de Emir Kusturica.
Com sentido humanista, relata a efervescência dos Balcãs, na Bósnia de 1992, visto pelos olhos de Luka, um engenheiro ferroviário sérvio e sua comandita.
Onde outrora Muçulmanos e Sérvios conviviam pacificamente, estala a guerra e com ela, libertam-se os ódios...
Porém, nem tudo são espinhos, por meios transviados [ao meu gosto], o amor nasce por entre os escombros, ainda que pertencendo a barricadas opostas.
Chamou-me a atenção a cena em que Sabaha - Muçulmana - é atingida e Luka - Sérvio - arrasta-a pela neve à procura de ajuda...
O seu rasto de sangue mantém-se durante toda a cena, como se Kusturica, lendo "O teu rasto de sangue na neve" [conto de G. G. Márquez em Doze Contos Peregrinos] quisesse recriá-lo no cinema, apesar de o inverter no take final [de forma magistral para quem conhece o conto, mas de forma previsível para todos os outros], não fora o objectivo da película servir de plataforma de entendimento entre as facções beligerantes, demonstrando que a convivência é pacífica quando impera o Amor.
Quanto a mim um filme a não perder, pela música, pela fotografia, pelo humor brejeiro balcânico e pela genialidade de realização.

7.13.2005

Mais um para a comandita!

Nasceu no passado dia 11 de Julho um espaço dedicado ao Metal. É o Metalurgia Sonora, da autoria de Galecius e que promete ser um espaço de divulgação dessa barulheira afinada designada de Heavy Metal.

"Hail to Metal" é o mote de apresentação do espaço alternativo, com potencialidades informativas muito interessantes!

7.11.2005

O critério das moscas

Conto de Luís Manuel Ruiz, vencedor do Primeiro Prémio Novela Curta da Universidad de Sevilla, editado em Portugal pela Quarteto Editora, levanta o véu ao mundo intrincado da ciência histórico-literária do Renascimento, vista pelos olhos de Matías Belaval, um professor universitário que sofre de amnésia após um suposto acidente de viação.
A obsessiva procura do passado por entre ocultismo, misticismo e morte, desemboca no auto-conhecimento de um indivíduo infeliz na sua existência, onde apenas o critério das moscas faz algum sentido...
Interessante...

7.07.2005

7.05.2005

Ideias fundamentadas

A imagem, veículo da aprendizagem
De que forma pode a imagem ser contributiva para o processo de ensino-aprendizagem?
Isabel Calado[1] define de forma conciliadora a relação entre elas. A autora mencionada a não linearidade entre imagem e processo de ensino-aprendizagem. Se os educadores reconhecem as potencialidades da imagem como auxiliar da comunicação pedagógica, utilizando-a como forma de transmissão de conteúdos, de motivação para novas aprendizagens, ou como forma de captar a atenção dos formandos e ajudá-los à memorização, pensamos nós que o seu uso é, cada vez mais, fundamental para o processo de construção de conhecimento. Fundamentámos a nossa afirmação na sociedade de informação em que vivemos e na necessidade de interpretação da imagem massificada que, todos os dias, nos fulmina, através das variadas caixas mágicas que nos rodeiam.

Será, pois, este um dos fracassos do ensino: a inadequação da Escola à realidade exterior. Aqui se inclui a incipiente utilização de recursos iconográficos como meio de incentivar à interpretação, não à memorização.

Sobre este assunto, Duborgel[2], diz-nos que a imagem não só ensina e instrui como também educa, catequiza e diverte. Em parte discordámos da afirmação. Ela própria é veículo de conhecimento, de aprendizagem, só por si não ensina nem educa, apenas quando interpretada, permite a construção do conhecimento.

Apoiado no espectro de imagem como suporte iconográfico, Duborgel ter-se-á esquecido da necessidade da análise iconológica do objecto visualizado. Se o autor define a imagem como algo representativo de uma acontecimento ou facto, como se de um retrato se tratasse, Panofsky vai muito além dessa visão simplista, defendendo a importância do estudo exaustivo e interpretação do documento iconográfico em causa, como forma de aprendizagem seriada e consistente[3].

Duborgel continua com a sua definição simplista, diz-nos que a imagem é um instrumento de informação, o reservatório de conhecimento, saber ou pré-saber, documento ou pré-documento, facto de motivação, discurso, ensinamento e saber ilustrados, meio de ilustração da aula, do discurso e do saber, utensílio de memorização e de observação do “real”, etc.
Definiríamos, ao invés, de forma menos rebuscada: a imagem é forma de atingir o conhecimento sobre determinado acontecimento ou acto, através da interpretação dos seus componentes (forma, objecto(s) representados, autor, contexto).

Não pretendemos com isto, desmontar a visão de Duborgel sobre a importância da imagem, apenas reforçar o facto de ser incompleta e de não se reportar aos factos realmente importantes que definem este instrumento como fundamental no processo de ensino-aprendizagem: a veiculação de informação passível de ser tratada.

[1] CALADO, Isabel (1994). A utilização educativa das imagens. Porto: Porto Editora, 1994.

[2] DUBORGEL, Bruno (1995). O imaginário em Pedagogia. Lisboa: Instituto Piaget.

[3] Iconologia deriva da palavra eikonología (linguagem figurada) em oposição à palavra Iconografia, que deriva da palavra eikonographía (pintura de retratos). Cfr. PANOFSKY, E. (1984). Estudios sobre iconología. Madrid: Ed. Alianza.

7.04.2005

Pensamentos transviados!

Read my lips... N-O--M-O-R-E--T-A-X-E-S!!

SÓCRATES, J. (2004). Campanha eleitoral extraordinária, após a panelinha do Santana. Ed. Dáparatodos, p. 24.


Sócrates e Santana, no seu melhor!

7.01.2005

Novas do passado!

Carta de James Cook dirigida a Philip Stephens, Secretário do Almirantado.

Momentos antes da viagem de Cook no HMS Endeavour na sua primeira viagem de exploração, pedindo alguns instrumentos matemáticos e científicos, tais como bússolas, réguas e teodolitos [não sei se é assim que se designa em português], usado para medir ângulos. Estes, serão utilizados nas suas pesquisas científicas e na elaboração de mapas para o qual estava contratado pela Royal Navy e pela Royal Society.

Para tal, Cook levou consigo pessoal especializado na elaboração de mapas, artistas e cientistas (nomeadamente geógrafos e biólogos, incluindo Joseph Banks, um biólogo conhecido à altura e Charles Green, um astrónomo, cuja principal função era a de observar o movimento do planeta Venus a partir da ilha Tahiti. Assim que este objectivo estivesse comprido, Cook deveria navegar para Sul e explorar zonas ainda desconhecidas. O conhecimento geográfico ainda não tinha chegado a essas zonas do planeta, porém, acreditava-se na existência de um grande continente ainda por descobrir.

A viagem foi um sucesso para Cook. Mapeou a costa da Nova Zelândia e a costa Este da Austrália, a qual reclamou para a coroa britânica. Delimitou mais de 5.000 milhas de costa ao mapa britânico do mundo. Trouxe com ele vários desenhos, pinturas e amostras de plantas e animais que não eram, até então, conhecidos no mundo ocidental.

Cook fez mais duas importantes viagens. Entre 1772 e 1775 voltou do Pacífico Sul onde continuou a mapear as terras encontradas.

Em 1776 foi enviado novamente com vista a procurar uma passagem a Norte entre o Pacífico e o Atlântico. Encartou grande parte da costa noroeste da América, tornando-se no primeiro europeu a visitar o Hawai, entrando em confronto com os indígenas que o mataram.
Para mais informações, consultar Cook's first voyage of discovery in

6.27.2005

O Aroma da Goiaba





Ao grande Judas devo o prazer de ter, diante mim, mais um livro do Gabito!


Desta vez, a Dom Quixote edita um conjunto de entrevistas publicadas em 1982 de Plinio Apuleyo Mendoza ao seu amigo Gabo.

Com esta compilação de entrevistas, buscam a génese de contos e romances que transformaram Márquez no ícone de muitos seres pensantes...

Cá vai o teaser para quem o apanhar!


Si formalmente El olor de la guayaba es una prolongada conversación del escritor y periodista Plinio Apuleyo Mendoza con su viejo amigo Gabriel García Márquez -lo que da ocasión a éste para desgranar con vivacidad sus remembranzas, juicios, opiniones y convicciones- sus contenidos van mucho más allá: en El olor de la guayaba bien pueden encontrarse las claves de un proceso, creador y creativo, de singular riqueza. De la mano de Mendoza, García Márquez desvela el mundo que refleja su obra -hasta transfigurarlo- con la magia de la palabra: la calidez y el color del Caribe, el universo mítico de sus pobladores, la extraña mentalidad de sus extraños prohombres y caudillos. Una obra en la que el compromiso con la emoción y el compromiso con la razón se dan la mano, para ofrecer la más sugerente aproximación a un ser que de puro complejo puede permitirse el lujo de ser nítido.

Palavras soltas à volta de uma imagem!




Praia,

Sol,

Bifes,

Peteca,

Compañeros,

Diversão

....

Douro acima...até à Rede!

Com historial de peso mas ainda muito pouco estudado, o Solar da Rede, cheio de glamour e transpirando história, apresenta-se, para mim, como um espaço memorável e a rever quanto antes...




A entrada, sumptuosa e definidora de um espaço nobilitado, recebe os transeuntes que, esclarecidos quando às belezas do Douro, apenas o conhecerão na sua plenitude com a permanência em tal local...


Longe da civilização, respirámos o ar perfumado pelos pólenes que pairam, por esta altura, por todo o lado.... Da varanda, a populaça está longe, a mente vagueia pelos vinhedos... respira-se e sente-se o outrora chamado de país do Douro!



O bem estar burguês toma conta de nós... o chilrear dos pássaros e o sussurro das árvores enchem os ouvidos de paz... não fosse uma vara de americanos a berrar a plenos pulmões ao verem uma piscina... um raio de um tanque mínimo, apenas para humedecer as plantas! Porém, tudo é suportável com o vislumbre do Douro ali em baixo! Ao longe, dois cotas com muito bom gosto tentam relaxar por entre os Yeah men... this is cool dos bifes transatlânticos!


Do quarto, afastado do Solar, como se quer, apenas as vespas servem de companhia.... Já agora, ficas a saber que estava um bicho enorme junto da janela quando chegámos... com asas e tudo!!! Foi exterminado sem pudores... era isso ou a fuga apressada do cafofo!!! Escolhi a primeira!



Deslumbrante, o rio sem fim desvanece por entre um sfumatto mais pictórico que real... Por vezes penso que o Douro não é real, antes uma composição à primitivo português, que tudo deixa transparecer até ao mais ínfimo pormenor, sem esquecer a perspectiva a esfumar-se com as distâncias, ao bom gosto renascentista de Leonardo!


A saudade de uma visão inebriante de verdes e azuis, deixa a melancolia de lá voltar em breve... Foi a Rede, poderia ser outro qualquer lugar do Alto Douro Vinhateiro!

6.22.2005

Manta de Retalhos VIII

Muito embora ninguém esteja a passar cartolina a esta fantástica história, o que é certo é que os ânimos não esmorecem e continuamos a luta contra a afasia cultural que se vive neste país.
Assim, o excelentíssimo Mannanan mandou mais uma posta de pescada para a nossa tão aconchegante manta!

6.17.2005

Manta de Retalhos VII

Andámos algum tempo sem tecido mas, depois de termos massacrado umas ovelhas, já há lã com fartura!
Tosquiador de serviço Gaja Boa


Foram estas as massacradas

6.16.2005

Novas do passado!

Assim eram caracterizadas as enfermeiras pelo periódico The Times, em 1857.
Ensinada por Comités, catequizada por capelães, mal vista pelos tesoureiros e mordomos, descomposta pelas parteiras, odiada pelos cirurgiões, ameaçada pelos criados, censurada e desfeiteada pelos doentes, insultada quando velha e feia, tratada com arrogância quando de meia idade e bem-humorada e seduzida quando jovem e bonita, é o que se espera de qualquer mulher nas mesmas circunstâncias...

The Times, 15 de Abril de 1857
P.S. Cá vai a primeira posta sobre o que tenho feito no mundo real!

6.13.2005

Aos memoráveis que fizeram a história... Anónimos e conhecidos!

Porque os momentos fatídicos nos fazem recordar o peso do Homem singular na Humanidade, uma homenagem a todos eles... Porque todos são memoráveis!


Caption: Cemitério de Igualada - Barcelona, Espanha

6.05.2005

Mais um a estrebuchar!!!

Manannan, a partir de uma criteriosa escolha de artigos, mais ou menos conhecidos, transcreve a história obrigando à reflexão sobre o peso do passado, para a (in)compreensão do presente!

A não perder!

6.03.2005

Pensamentos transviados

É do caralho meus senhores, é do caralho!


MANO, P. (2005). Comentário ao post A Bem da Saúde Masculina. Porto: Ed. Quioske. p. 38.


Nota do editor: Em homenagem a esse grande pai de família, que anda a comentar desta forma os posts do irmão!

6.02.2005

Projecto Manta de Retalhos

A qualidade continua... com bolinha vermelha e tudo...

Por Pepe Santiago

Novas do passado!

Photograph by H. C. Ellis


FRANCE, MARAIS


Hell's Swells

A hot spot called Hell's Café lured 19th-century Parisians to the city's Montmartre neighborhood—like the Marais—on the Right Bank of the Seine. With plaster lost souls writhing on its walls and a bug-eyed devil's head for a front door, le Café de l'Enfer may have been one of the world's first theme restaurants. According to one 1899 visitor, the café's doorman—in a Satan suit—welcomed diners with the greeting, "Enter and be damned!" Hell's waiters also dressed as devils. An order for three black coffees spiked with cognac was shrieked back to the kitchen as: "Three seething bumpers of molten sins, with a dash of brimstone intensifier!"

5.31.2005

Respostas surpreendentes!

Sugerimos que se faça um abaixo-assinado com vista a simplificar o conteúdo do artigo 24º da Constituição da República Portuguesa, relativo ao direito à vida, uma vez que em algumas mentes mais esclarecidas, causa graves equívocos.
Passo a citar:
O Artigo 24º preconiza que a vida de um ser humano é inviolável, se em algum caso isso não acontecer, haverá pena de morte.
Pede-se, pois a actuação de todos no sentido de alertar os constitucionalistas para tal facto!

O ser furtivo

A despedida, tantas vezes silenciosa, faz-nos sofrer com a ausência nos momentos em que menos esperamos.

É como se revivesse-mos esse fatídico momento de forma completa, sentindo que ele não é ultrapassável, apesar de atenuado pelo tempo...

O ser furtivo, egocêntrico e egoísta, aproveita-se do seu próprio vazio interior, antes, do despojar de sentidos para desfrutar dos prazeres carnais, lascivos, que lhe dão forma e razão de viver! Mais não faz do que reviver momentos únicos, transpondo-os para outras pessoas, outras vivências.

Não sabe o que faz... aliás, sabe-o e, por isso, continua a desempenhar a sua função sem pudores nem amores... Sim, é uma função, desempenha um papel perverso de cópula, desenfreada e desregrada, é um amante como não há igual, temido pelos pares, ansiado pelos impares e odiado pelos pares dos ímpares!

É um ser animal, sem sentimentos, sem dilemas profundos, por opção própria ou imprópria, apenas sobrevive alimentando-se da ilusão do amor que recolhe aqui e ali, sabendo que nada dará em troca senão o presente ínfimo do esperma humano....

Enfim, é um habitante da margem esquerda do rio da ilusão, sem perspectivas de o atravessar!

Pensamentos transviados de Florentino Ariza [se não os teve, devia!]

5.30.2005

Pensamentos partilhados!

Afinal os blogueiros também teclam... isso já sabia, mas que teclavam em tempo real, é novidade!
Quiosk (2005). Sem título. Porto: Ed. Mustafa III, p. 5673.

5.27.2005

Mais um retalho para a manta!

por Gaja boa.

Divagações de um tio embevecido!

Triiimmmm.... triimmmmmm!

"Olá mãe! Então que se passa!?"

"Calma!... calma!... a coisa está para breve... mas calma... não venhas a correr, filho!... Ainda vai demorar...
...aproveitaparametrazeresdecasaalgumascoisaselajáfoi
paraaclínicaeopartovaiserprovocadoeomeninovainascer
comvocêsfoiumápicemaspodedemoraranoitetoda!"

"Ok, vou já para aí!"

A tremelicar lá vamos sem demora... Terceleiros calado e colado ao banco, segurava a vida pelo braço! Depois de uma corrida alucinante pelas estradas de Portugal, lá chegamos espavoridos, ao destino!

A espera, ao relento, é longa e fria... pensamentos transviados tomam conta de nós e, apesar dos espaços diversos, a mente vagueia, atenta ao telefonema que nunca mais vem... Ainda por cima ninguém atende! Será que não têm consciência que a multidão espera, ansiosa, o berro do pequeno!?

Tininininiiiii... Tininininiiiii!

Porra é o da Nena, não deve ser a boa nova...!

"Já nasceu... já nasceu!"

Engulo em seco para manter a postura... De olhos humedecidos, terei de esperar pelo dia seguinte para ver o miúdo!

...

O encontro é revelador! Numa redoma, para ser apreciado e não tocado [como deve ser!] dorme com vontade de acordar, por entre esperneios e franzidos do sobrolho!

É giro e alto... vai destroçar os corações incautos que, em dias de Primavera, se atravessarem à sua frente! Não por opção de vida, apenas porque assim lhe indicam as feromonas!".

Não quero ser coruja, mas é, sem dúvida, o bebé mais bonito que alguma vez vi!

Enfim... divagações de um tio embevecido!

5.24.2005

Projecto Manta de Retalhos

Parte I - Miguel de Terceleiros;

Parte II - Einstein;
Parte III - Quiosk

Do 13º andar onde me encontro, desfruto da paisagem citadina. A vida, lá em baixo, corre num misto de entediamento individualista e de bulício contagiante!

Aproveito o meu tempo de ócio para pôr as ideias em ordem...

"A casualidade de ter uma mulher que não conheço, na minha cama, faz-me sentir desconfortável... apesar de ter sido divertido, não consigo pressentir qualquer sentimento extra que, à anos, me deixariam extasiado... Deixei-me disso, fico na minha e quando começa a cheirar a seriedade, tenho de saltar não vá o passado voltar... "

"Mexeu-se... vai acordar e logo me irá atirar um sorriso delicioso, daqueles que apetece agarrar..."

- Bom, começas a deleitar-te demais com a miúda... atenção, já sabes no que te metes!

"Vai dirigir-se a mim com a voz entaramelada enquanto se espreguiça, olha, é agora... Deixa-te estar, não acordes, não deixes que o som atrapalhe o meu desentorpecer... mmm, começa às voltas, não tarda está a abrir a pestana!"

[A noite anterior havia sido de arromba! Tinha ido a um bar com ninguém e aí encontrou o seu grupo de sempre, aquele dos solteirões que, no dia fixo, se junta no Café Guichard para a cavaqueria do costume. Desta vez, foi o centro das atenções, estava inspirado e as piadas saiam umas atrás das outras (uma raridade, pois era conhecido como o Tremelhinho, pelo facto de só trazer conversas sérias à baila!).
A certa altura, de difícil explicação, tanto pela camada de gás que já borbulhava na pança, como pelo baloiçar constante do copo, alguém, lá atrás, responde à sua provocação... aliás, lá trás não.. lá em cima...

Olha de soslaio, alguém lhe quer roubar o mediatismo... E lá estava ela, C-A-V-A-L-O-N-A! Era essa mesmo a expressão... Não era giraça, antes, era encantadora. O seu sorriso largo e o cabelo liso realçavam os olhos grandes e provocantes. Bom, daí em diante tudo se precipitou....]

"Ahhh, vai fazer parte dos anais das histórias que nunca contarei..."

- Que raio... uma mulher com 1 metro e 90 !?... que raio viu ela em mim?!... ainda por cima, se fosse feia e desdentada... ainda se percebia, mas assim... excitante!? Devia estar com um pifo...

“Pronto acordou, acabou-se a paz!”

- Olá, bom dia querido! Dormi muito bem, e esta cama... perfeita, acho que me vou habituar... Queres-me trazer o pequeno almoço!? É escusado cozeres ovos, não estou para aí virada, hoje!

-!?!?!?!?!
Próximo retalhista: Gaja Boa

A bem da saúde masculina!

Contemplar o peito das mulheres, é bom para a saúde dos homens, e ajuda-os a viver mais tempo, foi a surpreendente revelação de um estudo realizado por um grupo de investigadores internacionais, com o apoio da Universidade de Berna.

Descobriram, ainda, que olhar fixamente, todos os dias, durante 10 minutos, para os seios de uma mulher, é tão benéfico quanto meia-hora de exercício físico.

Este estudo, com duração de 5 anos, tendo como cobaias 200 afortunados voluntários, demonstrou que todos aqueles que visualizaram o espectáculo inaudito, previnem em 63% o risco de sofrerem doenças cardiovasculares, diminuindo, ainda, os riscos de hipertensão.

Karen Weatherby, investigador coordenador do referido estudos, afirma:

"Olhar para os seios de uma bela mulher durante 10 minutos por dia, é o equivalente a meia- hora de aérobica. A excitação sexual aumenta a frequência cardíaca, e é benéfica para a circulação do sangue. Pensamos que, com uma prática diária, os homens podiam aumentar a esperança de vida."
A explicação não poderia tardar... os homens não são tarados, estão é preocupados com a sua saúde !!!

5.23.2005

Projecto Manta de Retalhos

Começa hoje o "Projecto Manta de Retalhos", uma experiência multi-blog que tem como objectivo a criação de uma história com múltiplos autores.

Começa neste blog e cada um dos “bloguistas” continua a história no seu próprio blog.

Mais que uma experiência pseudo literária o objectivo é a circulação por vários blogues e a descoberta dos mesmos.

Inscrições neste blog ou nos blogues aderentes.
Primeira contribuição em http://terceleiros.blogspot.com

No comment

Photo 8, V.2N.º2



5.20.2005

Mais um foi parido... e com bom aspecto!

Porque o preconceito é o absurdo e Nós somos o Absurdo...

Abriu um novo espaço de livre pensamento!
Com os sentidos à flor da pele, depois do arrepio pelo ritmo das palavras, consegue-se perceber uma fluidez do pensamento transposto para o papel, apenas conseguido por alguém que, sabendo do peso da escrita, deixa-se vaguear pelas ideias!
Começou ontem como espaço tímido para debate, continua hoje como suporte dos sentidos mais profundos de um ser que luta por manter a sanidade na sociedade normalizada!
Pirsig´s ghost é um pensador da vida... antes, um pensador da sua própria existência!
A não perder!

5.18.2005

Notícias fresquíssimas, acabadas de apanhar!

Está tudo a ficar maluco, especialmente eu. Leiam para conferir!!!!!!
Assim começa um novo blog (já tem uns tempos, mas só agora soube da sua existência), à medida do seu criador!
Terceleiros de seu nome, o Grande de cognome, mais não faz do que dar azo à sua pérfida imaginação, arrasando tudo o que o rodeia com a excelência e perspicácia dos seus posts...
Quanto a mim, a não perder... Simplesmente fabuloso (só falta aprender a colocar imagens)!

5.17.2005

Grito de protesto!

Em conversa com alguém de uma cidade maior [só na dimensão], fiquei a saber que a visão da diferença espacial é mais restrita quanto maior é uma urbe!


Estranho, pois pensava que era precisamente o contrário...


Se os habitantes Da cidade vêem as outras como província, nós, os habitantes dessas outras, vemos os espaços urbanos e rurais, como paralelos, de menor dimensão é certo, mas com um passado interessante e importante quando falamos de um país tão pequeno como é o nosso!


Revoltei-me com tal conceito mesquinho de realidade... Se vivemos em determinado sítio não podemos esquecer que fazemos parte de um grupo com certa unidade, ainda que abstracta e cada vez mais inconsistente [no mundo global e normalizado em que vivemos]!


Vislumbrámos a realidade de forma mais abrangente e dinâmica, nas suas formas e contextos.


Já outros, detentores de um conhecimento estranhamente limitado, pensando deter a verdade, transformam o seu espaço numa gruta, apertada, onde nenhum outro conhecimento pode entrar...


Protesto, pois, contra todos os que não querem ver a diferença...

5.16.2005

Constatação de um facto!

Caríssimos bloguistas ou antes... blogueiros,
Regressei depois de um longo período de hibernação... estou um homem novo, fiz um lifting, coloquei um pouco de botox e todas essas coisas que o pessoal faz na Corporación Dermoestética....
Este período fez-me reflectir e cheguei à conclusão que, de facto, sou um ser afortunado (mais que iluminado!) pois tive a oportunidade de ser comentado, quando apenas previa o desprezo da pseudo-comunidade!
A todos o meu... Obrigados!

5.12.2005

Pensamentos transviados

Nem tempo tenho para me coçar...

QUIOSK (2005). Que raio de semana. Porto: Ed. Talecoisa, p. 12.

5.08.2005

Resposta surpreendente!

Sou um privilegiado... tive a honra de ler a seguinte resposta a uma questão concreta, que passo a transcrever:
Pergunta: Diferencia as principais teorias sobre o lugar da Terra, no Universo.
Resposta: O Universo faz parte do Homem e o contrário, como sabemos, há cinco continentes diferentes, cada um determinado por circunstâncias diferentes - modo de vida, forma de distribuição dos recursos naturais, evolução totalmente diferente.
Mas porquê?
Com base nos dogmas...
[Simplesmente genial! Sem palavras...]

5.05.2005

Anúncio público!

Desafia-se todo(a) e qualquer interessado(a), conhecido(a) e não conhecido(a), a estar presente, sexta-feira dia 6 de Maio, pela noite dentro, na Queima das Fitas do Porto! Estaremos pelas imediações da barraca de História Dura Moca - que raio de nome! (n.º 20 - conferir no mapa, na última linha de barracas)
Para reconhecimento de todos, terá o(a) interessado(a) de levar uma peça de roupa de cor vermelha...ou não! Pode também não levar nada... mas era giro!
Para nos encontrar, basta gritar CUCA, que lá aparecerá alguém para o(a) salvar (é a sério, ainda que custe a acreditar!)
Pode ser que chova alguma bebida de borla... quem sabe!!!

5.03.2005

Pensamentos transviados...

Lisboa considerava o Porto - terra de broeiros. E, sempre que algum movimento se realisava, ou politico ou social, logo a cidade de Ulisses, invocando os seus lustrosos pergaminhos, principiava a rosnar.
PEREIRA, Firmino - O Porto d'outros tempos : notas historicas memorias recordações. Porto: Livraria Chardron, 1914, p.10.

4.29.2005

"Nuntio vobis gaudium magnum, habemus Comissarium: Cuco IV

PRIMO PAROLLE DE CUCO IV AL TERMINE DELLA CONCELEBRAZIONE CERVEJARÍSTICA CON I CARDINALI ELETTORI IN PRESUNTUS

Friday, 29 aprile 2005

"Man!"

"Fui convocado!!!"

A sapiência americana...

A partir de 1969, quando a NASA começou a enviar regularmente cientistas para o espaço, descobriu que as esferográficas não escreviam em lugares de gravidade 0.
Para encontar solução para o problema, cientistas da NASA passaram uma década e gastaram 12.07 biliões de dólares a desenvolver uma caneta que escrevesse em locais sem gravidade, de pernas para o ar, debaixo de água e em qualquer superfície com temperatura até 300 graus negativos.
Em contrapartida... os russos... usavam o lápis!
Enviado por JPMiranda

4.27.2005

Pastas substituídas por portáteis em S. Bento

Nas reuniões de Conselho de Ministros acabaram-se as pastas e dossiers. É-lhes vedada a entrada em detrimento dos portáteis!
A conversa que se segue, captada pelos microfones ocultos do SIS, entre José Sócrates e Mariano Gago, é sintomático do cuidado que o Governo está a ter no cumprimento desta nova directriz.
- Prof. Mariano Gago? É o Zé Sócrates. Oh, pá, ajuda-me aqui, comprei um computador, mas não consigo entrar na Internet! Estará fechada?
- Desculpa?....
- Aquilo fecha a que horas?
- Zé, meteste a password?
- Sim! Quer dizer, copiei a do Freitas!
- E não entra?
- Não, pá!
- Hmmm....deixa-me ver... qual é a password dele?
- Cinco estrelinhas...
- Oh, Zééé!... Bom, deixa lá agora isso, depois eu explico-te. E o resto, funciona?
- Também não consigo imprimir, pá! O computador diz: "Cannot find printer"! Não percebo, pá, já levantei a impressora, pú-la mesmo em frente ao monitor e o gajo sempre com a porra da mensagem, que não consegue encontrá-la, pá!
- Oh, Zééé!.... Vamos tentar isto: desliga e torna a ligar e dá novamente ordem de impressão.
[Sócrates desliga o telefone. Passados alguns minutos torna a ligar.]
- Mariano, já posso dar a ordem de impressão?
- Olha lá, porque é que desligaste o telefone?
- Eh, pá! Foste tu que disseste, estás doido ou quê?
- Oh, Zééé!... Dá lá a ordem de impressão, a ver se desta vez resulta.
- Dou a ordem por escrito? É um despacho normal?
- Oh, Zé... Eh, pá! Esquece....Vamos fazer assim: clica no "Start" e depois...
- Mais devagar, mais devagar, pá! Nao sou o Bill Gates...
- Se calhar o melhor ainda é eu passar por aí...Olha lá, e já tentaste enviar um mail?
- Eu bem queria, pá!, mas tens de me ensinar a fazer aquele circulozinho em volta do "a".
- O circulozinho!?...pois.... Bom... vamos voltar a tentar aquilo da impressora. Faz assim: começas por fechar todas as janelas.
- Ok, espera aí...
- Zé?...estás aí?
- Pronto, já fechei as janelas. Queres que corra os cortinados também?
- Oh, Zééé!.... Senta-te, O-K!? Estás a ver aquela cruzinha em cima, no lado direito?
- Não tenho cá cruzes no Gabinete, pá!...
- Oh, Zééé!...Oh, Zééé!... OLHA PARA A PORRA DO MONITOR e vê se me consegues, ao menos, dizer isto: o que é que diz na parte de baixo do écran?
- Samsung...
-?!?!?!
- 'Tá lá?'...Desligou!
Created by Mano

4.26.2005

O poder do clique, para o estudo do passado!

Papyrus Reveals New Clues to Ancient World
James Owen for National Geographic News
April 25, 2005

Classical Greek and Roman literature is being read for the first time in 2,000 years thanks to new technology. The previously illegible texts are among a hoard of papyrus manuscripts. Scholars say the rediscovered writings will provide a fascinating new window into the ancient world.

4.23.2005

Pensamentos transviados...

(...) os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as suas mães os dão à luz, a vida os obriga uma e outra vez ainda a parirem-se a si mesmos (...)

Leão XII Loayza in MÁRQUEZ, Gabriel García - O Amor nos Tempos de Cólera, p. 179.

As palavras que nunca vos direi...

A Saudade é uma vã dor, inútil, que mais não faz do que trucidar o coração!

Tanto vos queria dizer e tão pouco é legível, tal é a vontade de presença, na ausência que sinto ao pensar nos raios de luz que me fizeram crescer e viver o dilema natural do dia-a-dia...

Quero-vos aqui, comigo, para chorar a tristeza, a angústia, os pesadelos, aqueles que maltratam os sentimentos e nos tornam intransponíveis, incontactáveis...

Quero-vos aqui, não aí, para apaziguarem a minha consciência... Quero-vos aqui, comigo, só para mim, e ouvirem o silêncio da minha voz reflectido na máscara de alguém que já foi, não é, mas gostaria de, um dia, voltar a ser, sem mentiras, sem receios, sem pudores, verdadeiramente completo nos defeitos e virtudes... apenas Ser!

Quero-vos aqui, para me reprovarem com essa faca afiada que trespassa a infantilidade e me transporta para o presente...

Quero-vos aqui, para me consolarem, para que possa encostar a cabeça (lembras-te?) e pensar no mundo como um poisio perfeito, onde nada é mais importante que o amor!

Quero-vos aqui, para rever as borboletas coloridas e sentir o espaço verdejante do Crasto, esse elixir de vida que me permitia pensar em tudo como uma realidade viva, alegre, sem máculas, em que nada era cinzento e tudo... verdadeiro.

Quero-vos aqui, comigo, para vos dizer que o amor que sinto por vós é incorruptível, incondicional e único... Aos dois, com amor!

4.14.2005

Torrente literária que anda por aí, nos blogs mais insuspeitos!

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro querias ser?

Ivan... Ivan, o Terrível, parece-me ser a personagem mais destemida que conheci, por isso, ficaria com ele! Ou então o Coronel Chabert, esse poço de força sobre-humana que sobrevive à traição do próprio amor!

Já alguma vez ficaste apanhadinho por uma personagem de ficção?

Sim! Melquíades continua a ser a figura mais enigmática que conheci, ainda que suspeite que nunca tenha existido...

Qual o último livro que compraste?

Horas Más de G. G. Márquez.

Qual o último livro que leste?

Memoria de mis putas tristes de G. G. Márquez.

Que livro estás a ler?

O Amor em Tempos de Cólera de G. G. Márquez.

Que livros (cinco) levarias para uma ilha deserta?

Guia prático da sobrevivência por P. C. Oninha;

Manual da caça e pesca em 5 lições por R. Asp Utine;

Como construir uma canoa que não afunde por Sexta-feira;

Obras completas de J. Luís Borges por Jorge Luís Borges;

Enciclopédia Luso-Portuguesa por alguém... para alguém que nada tem para fazer!


A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?

Porque são compinchas do melhor!!!

Biblioteca de Babel

Ler Provoca Impotência

Virado pro Mundo

E os vencedores são:

Os que conseguirem sobreviver na ilha deserta!

Pensamentos transviados...

O peido é o grito do povo!... ou antes... o grito é o peido do povo?... ou então... ehhhh... não sei!
By GALECIUS, B. - O Vinho de Murça é Muito Bom. Porto: Pipas, 2005, p. 400.

4.13.2005

O poder autoritário do binómio 0_1

Recensão crítica à obra de Pierre Lévy, Máquina Universo: criação, cognição e cultura informática.

A era tecnológica em que vivemos, realidade perversa que auxilia e limita o Homem, apresenta-se como uma verdade inegável do nosso tempo. A ferramenta informática, organizadora laboral e relacional da comunidade global, possibilita também o controlo da informação e das pessoas em contexto social. Vivemos, pois, sob o efeito big brother – como se de um grande irmão controlador da vida dos “manos” se tratasse. A não bastar, se nos dá a ilusão do conhecimento universal, dá-nos também a solidão, única forma de tratar a informação.

Neste contexto de mudança, a própria realidade sensorial e espacial sofre transformações irreparáveis, muitas vezes negada pelo ser humano. É a luta desigual da terceira vaga informacional vs a resistência à mudança humana. É, em suma, a era tecnológica em acção.

O autor define o computador como reestruturador completo da aprendizagem e da imagem. De facto assim é, se vivemos uma era informática em que o acesso à informação se define de forma completa – tudo respira informação –, a resistência pessoal às clivagens do conhecimento não conseguem acompanhar a evolução natural de um produto construído e transformado, que acelerou o conhecimento de nós mesmos e do nosso contexto, colocando-nos num patamar egocêntrico de conhecimento – o Homem domina o Saber.

De forma autoritária, o computador assume o seu papel de redefinidor de formas, de conceitos estéticos e, até, artísticos, de tal forma que a vida ocidental gira à volta dele. É neste sentido que vislumbrámos um mundo transformado em linguagem assembler (binária), em que tudo é passível de ser transformado em consequências infinitas de zeros e uns, para melhor ser compreendido e passível de ser difundido. É a era global a funcionar na sua plenitude, ainda que dividida por uma barreira desenvolvimental – o hemisfério norte económica e socialmente desenvolvido e o hemisfério sul, a quem é vedado o desenvolvimento sustentado e consequente acesso à informação.

Em suma, o autor define a mutação antropológica da era tecnológica, segundo dois conceitos: necessidade - científica: de formar, de conhecer e de difundir; e liberdade - cultural: de criar, recriar, aceder e compreender a diferença em tempos de cólera obsessiva pela normalização, também ela necessária, a nível do acesso à informação, mas recusável, no que concerne ao seu conteúdo.

4.11.2005

Pensamentos transviados...

(...) cada um vem ao mundo com um número determinado de coitos, e os que não se usam por qualquer razão, própria ou alheia, voluntária ou forçosa, perdem-se para sempre (...)
Gabriel García Márquez, El amor en los tiempos de cólera, p. 165.

4.06.2005

O nascimento de um paradigma

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.
Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão.
Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada. Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas.
Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram. Depois de alguma surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada.
Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o facto.
Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.
"É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito" (A. Einstein)
Enviado por e-mail por João M.

4.03.2005

No comment

Photographer: James L. Stanfield
"Pastor of the world's largest religious body, Pope John Paul II incenses
an altar at Mass."
—From the National Geographic book Inside the Vatican, 1991.

4.01.2005

Parasitas...somos verdadeiros parasitas!

Title: Sea world... from above and from beneath

Em conversa com mi compañera, em pleno trânsito da VCI, surgiu a conversa da Humanidade e de como subjugamos o planeta às nossas vontades!

"- Parasitas... somos verdadeiros parasitas... tenho-o dito e as pessoas não acreditam, mas nascemos naturalmente avessos ao pacifismo e à coexistência pacífica! Nascemos prontos a devorar tudo o que nos satisfaça sem olhar a meios!"

Bom, parece-me que, de facto, a definição da humanidade como parasitária, é correcta, porém, a ideia freudiana de que nascemos tendencialmente maus, está, para mim, posta de lado.

Na minha opinião, nascemos inocentes, como se de um vazio cheio de potencialidade se tratasse. Vamos sendo moldado à medida que o contexto em que crescemos vai preenchendo o vácuo de ideias, estigmas, estereótipos, receios e vontades.

O nascimento não tem relação com a maldade, o problema é que o contexto humano belicista em que vivemos, faz com que nos tornemos felizes ignorantes, desrespeitando tudo o que são os valores intocáveis da coexistência pacífica com as outras espécies.

Defendo que somos realmente parasitas, no sentido em que garantimos a superioridade da espécie em relação às outras, quando o objectivo da existência é o de desenvolvimento com a diferença e não com a desgraça alheia.

Apesar disto, não culpo só o Zé, aquele que dá a paulada no bicho para lhe tirar a pele (esse, não percebe ou não quer perceber as repercussões do seu acto que já se tornou natural, como se aparafusasse uma porta!), culpo o que compra a estola, o cinto, a balize, porque tem acesso à informação e olha para o lado para não ver o processo!

É neste limbo de culpas que nos vamos safando das nossas, escrevemos umas coisas e a nossa consciência acalma... porém, tudo se mantém no lento ciclo, homicida, em que a Humanidade se movimenta!

"Parasitas... SOMOS verdadeiros parasitas!"

3.30.2005

Mar agitado, o das palavras!

Viajar! Deambular sem destino pelas palavras, ideias e concepções do autor e nossas...

Como é ternurenta a relação do escritor com o leitor! De uma generosidade imensa… daquele que nos oferece a sua realidade mental, mesmo ocasional, para que nós a possamos transformar em sentimentos e experiências, viajando, assim, por um mundo que não é o nosso mas que reflecte, muitas vezes, a nossa própria realidade sensorial...

De tal forma que vivemos outra vida, a da personagem, para dizermos o que ela não disse, mas que sabemos que queria dizer... viajamos pelo mundo das imagens transformadas em palavras…



Viajar... e viver, gritamos por viver, longe de tudo o que nos oprime e nos impede de respirar o ar puro da sinceridade!

Gritamos por vida, por liberdade de pensar e agir, por tudo o que nos prende ao presente e não nos deixa evoluir e crescer!

Tristeza, choramos por tristeza... de pensar, de sentir, de querer, mas não querer, não conseguir, não ser capaz de deixar e seguir em frente!

Ah livro maldito que nos fazes escrever o que não queríamos sequer pensar...

Ah livro ardiloso que nos queres dizer aquilo que sabemos, mas não queríamos saber!

Ah livro labiríntico que nos impele a entrar mas não nos deixa sair!

Ah livro amigo, confidente, sentido, que nos explicas o que conhecemos mas não queremos ver!

3.26.2005

Fica na merda, meu amigo... é o que te desejo!

Há muitos, muitos anos [no tempo em que os animais falavam e em que Melquíades, o sábio, influía no espírito de José Arcádio Buendía, no sentido deste inventar a fabulosa máquina de cuspir gelo], o povo da erva falava, sonhava e também sofria com os contratempos do dia-a-dia!
Pois o caso é que um certo dia, um pintassilgo distraído irrompeu por uma varanda dentro, filado nas migalhas deliciosas de um pão recesso com vários dias de exposição! Porém, a janela, fechada, fê-lo gurar o intento, e ao invés de comer, foi comido por lorpa ao esbarrar contra o vidro e ao cair, estatelado, num viçoso jardim...
Em estado de choque, não se mexia... porém, alguém que por aí passava, ao vê-lo naquele estado vegetativo decidiu pegar nele e, profetizando que apenas uma quente e fofinha bosta de vaca o poderia aquecer e aclamar, decidiu abrir um buraco no dejecto para o colocar bem aconchegado [que raio de coragem... mexer na merda!].
O pintassilgo, ainda meio grogue com o terrível aroma natural que dele já emanava, começa a espernear, queria, legitimamente, sair do seu fofo cafofo...
Porém, nessa mesma altura, lá no alto, majestático, um falcão avista-o, e, num ápice, cai sobre ele, matando-o e comendo-o... até aos ossos... todinho!
Esta é a triste e fugaz história do zé passarinho que, da vida, conseguiu aprender uma única lição e que eu passo a transcrever, uma vez que este foi o seu último desejo!
Quando estás na merda, deixa-te estar quentinho e aconchegado... pois quem te lá pôs, podia não te querer mal, e quem de lá te vai tirar, pode não o fazer por bem!
É, realmente, uma história do car***o, a do zé passarinho! Paz à sua alma...

3.25.2005

Quando a calmaria surge... fica o silêncio!

O leitor tresmalhado que a este blog vem ter, (tive 3 visitas no dia de ontem!) deve ter indagado do porquê da inconstante colocação de posts no quioske!
Bom, é que, quando nos referíamos à falta de inspiração, estavamos a referir-nos ao nosso caso particular!
De facto, foi-se a inspiração e como ainda não subejou o talento, fica o silêncio!

Esperamos em breve satisfazer os mais cupiosos intímos com uma história de arromba que ainda não nasceu, nem no papel nem no intelecto...

Aguardo, pois, notícias minhas a qualquer momento!

3.23.2005

Quando a inspiração se vai...

A inspiração é algo que surge quando menos esperámos!

Outras, como esta, simplesmente não surge!

Por vezes, a leitura de um bom livro, dá-nos pica para nos colocarmos na pele da personagem, submergirmos na história narrada e apreciarmos o que se passa lá em baixo, no sub-mundo da ilusão!

De tal forma que não queremos acordar dessa neblina que nos embrenha!

Pensei em escrever sobre o tabaco... nããã...hoje não é o dia! Não estou com paciência para pesquisar e construir um texto que não seja este, o das ideias, infundadas e inconsequentes!

Ideias imberbes e inconstantes que mais não são do que prefixos perdidos num mar de figuras de estilo (obrigado bárbulo!) que mais não fazem do que florear uma certa verdade... quando a inspiração se vai....

3.22.2005

Memória das minhas putas tristes ou, a minha realidade romanceada!

Saiu um livro novo!

Quer dizer, não saiu, já tinha saído, mas só agora chegou a Portugal o novo livro de Gabo.

A história de um ancião que, para festejar os seus 90 anos, decide oferecer a ele mesmo uma noite louca de prazer com uma adolescente tenra.

Seria de pensar que tudo acabaria com a morte do viejo, depois do esforço físico exacerbado! De facto, assim é: morre a solidão empedernida que com ele viveu até aí.

Nasce o amor, tal como com María dos Prazeres que se havia apaixonado, no fim da vida, pelo motorista que a salvou da borrasca!

Um amor correspondido, aquele que fez Ariza comer pétalas de rosa apenas para sentir o que pensava ser o cheiro da sua amada! O mesmo que fez Delaura abdicar dos seus princípios ou que fez Sierva María aceitar os padrões ocidentalizantes....

Esse mesmo, que fez Rebecca matar o seu possante Buendía, ou aquele que manteve Amaranta só, cozendo, lentamente, a sua própria mortalha, esperando a morte...

Bom, esse mesmo que faz o transviado leitor cantar, sorrir, chorar... berrar...BERRAR!

Ao velho, deu-lhe para pedalar...

Tão importante quanto a possibilidade do amor aos 90, toca pela ternura com que define a velhice e pela forma como torna perceptível - para quem nunca por lá passou, mas para lá caminha - o misto de nostalgia/saudade com que se vê o passado e se estranha o presente, mesmo quando influímos na opinião de outros.

Memórias sobre o amor e outros demónios, quando se anunciava a morte do patriarca solitário!

3.18.2005

O diário de Mustafa: Bússola Política

Title: NEWS in www.imagebank.com



Cara amiga,

Se tem problemas existenciais, insónias ou não sabe o que fazer para o jantar.

Se vive deprimida, com dores menstruais ou precisa de saber se tem êxito com os homens, não deixe de fazer um teste à sua consciência.

Vá a http://www.politicalcompass.org/ e faça a sua carta astral! Em caso de ignorância extrema, poderá fazê-lo em português no jornal Público, pesquisando por Bússola Política.

Quanto a mim, caras amigas, fi-lo em português, pois nada como pouparmos neurónios com assuntos fúteis como: Direitos Humanos, Sexualidade, Consciência Social e Concepções Políticas, quando podemos ocupar o nosso tempo na lide doméstica e a coscuvilhar a vida da vizinha.


Até à próxima edição de,

O diário de Mustafa

3.17.2005

Estranho mundo o do futebol!

Após um dia proveitoso em plena capital, nada como um bom joguinho de futebol para relaxar!

Num estádio confortável e quentinho, para o frio que estava lá por fora, tinham que me calhar um bêbado, um charolo, um fedorento e, imagine-se, outro bêbado!

À minha esquerda, nada a declarar [iam comigo e, como provavelmente vão ler este post, é melhor não desdenhar!], companhia fabulástica, não fossem as trombas do rapaz que nos ofereceu o bilhete, quando, aos 73 m 13 s da segunda parte, o Penafiel marca mais um e eu não me contenho, desfaço-me em risos infantis provocando um mal-estar generalizado...

De um lado aconselhavam-me bom senso, uma vez que o bêbado, o charolo, o fedorento que já estava bêbado e o outro bêbado começavam a babar de raiva [insisti que era do excesso de cerveja, mas os outros não acreditaram...]!

À frente, rezavam para que continuasse, à espera que uma galheta vinda da direita me serenasse os ânimos e me fizesse engolir o prognóstico de 0-1 para o Penafiel!

Do outro lado... bom, do outro lado acho que não havia nenhuma opinião formada sobre... nada... a avaliar pelos comentários variados: - Anda filho da puta! Corre filho da puta! Chuta filho da puta! Defende filho da puta! Fooooda-se, pó caralho do bimbo!
Apenas começavam a achar que seria interessante descarregar alguma da frustração que o 0-2 propiciava...

Bom mas o caso é que, estando eu num habitat estranho, como se do Microcosmos se tratasse, eu era, de facto, o elemento parasitário!

O bêbado, o tóino... antes... os bêbados, estavam siderados com os impropérios que lançavam a uma e outra equipa, ao árbitro e até uns aos outros!
Mais contente ficou um ao avisar-me " – Vou dar uma mijinha!"... Considerei-me realizado, alto grau de satisfação na pirâmide de Maslow, finalmente sou feliz! [Porque raio de carga de água há-de alguém querer partilhar algo do género com outra? Achará isso um sinal de magnificência!?].
Seguravam um cartaz que, a avaliar pelas palavras do verde narigudo, fazia lembrar os bons velhos tempos do jardim infantil, em que rabiscávamos algo indescritível.... Como não o consegui ler, apesar de estar a 15 cm do dito papel, acredito na sua palavra.

La compañera, deliciada por estar num estádio do adversário, como se de uma clandestina se tratasse, vibrava em silêncio com a desgraça dos caseiros, febril rival do clube do curaçonhe!

O verde narigudo, feliz por arranjar bilhetes "à borla", via o jogo em silêncio com uma dor tão profunda que extravasava o seu olhar ao ver o inevitável...

À frente, o doador de órgãos, chorava os bilhetes oferecidos, pois, para além de "gajos da província", não eram do sistema... imagine-se... nem do Benfica eram! Ainda por cima, o baixinho gordo não parava de rir!!!

Eu... vibrante e efusivo como sempre, mantive-me calado, taciturno e com bico de pato até ao segundo golo. Aí, tive de sorrir... estava a saborear a desgraça dos outros... afinal, também sou humano!

3.15.2005

O sinistro caso do cartaz assassino!

Foto: Isabel Figueira por Triumph

Após uma viagem calma pelos caminhos (directos) de Portugal, eis que chegamos a Lx. Tudo tranquilo até que, sem nenhum aviso prévio, damos de caras com um mega cartaz, mesmo à saída da auto-estrada, com uma foto ampliada de um naco de carne!

Não, não existe uma única palavra em toda a superfície, apenas a imagem, carnuda, desculpem... desnuda de um bife! Sim, é assim que o transeunte da dita estrada (eu incluído) vê a rapariga... não interessam as suas qualidades pessoais, apenas a peça!

Faz-me lembrar a célebre apologia da carne brasileira, não interessa que ela não seja sujeita a exames veterinários, o que importa é encher a boca com o suco sanguinolento que ela larga, lembras-te?

Bom, retomando a história... dou por mim a contorcer-me para manter a visibilidade para o placard e, com isto, a acercar-me do carro do lado! Não fora a minha companheira de viagem ter-me alertado para a baba que escorria já pela camisa abaixo, teria sido mais um galardoado com a medalha de mérito da Grã-Ordem do Esmurra o carro ao Alfacinha!

Mais uns anos e os meus reflexos não seriam tão lestos... Estabilizo o carro e com ele o pensamento...

Penso na sociedade em que vivemos... no culto do corpo e da imagem. Como se do presente que recebemos, apenas nos interessasse o papel que o circunda, não nos importando com o objecto ofertado!

Não querendo aumentar o número de pessoas que me considera um louco, afirmo que aquela imagem mais não é do que o espelho do mundo....

Insinua a nudez... mas não mostra o rego! [Seria uma heresia.... e os valores? e a moral?]

Trabalha-se a imagem... mas não se quer que abra a boca! [Estraga a fotografia... é preciso estar quietinha e a parecer confortável... não, não! mantêm a perna retorcida... isso! Muito bem!]

Pede-se um sorriso... mas não se olha à tristeza! [Não quero lágrimas! Pronto, já passou, não se fala mais nisso, ok!?]

Enfim, pensámos no Ter, mas não queremos o Ser! [Teríamos de a aturar!]

2.16.2005

Com a entrada do Outono vão-se os banhos e fica... o chá!

Praia de Banhos por João Marques de Oliveira (1853 - 1927), 1884;

(óleo sobre tela) Dimensões: 46 x 49 cm;

Museu do Chiado (Lisboa);

Assim deveria começar a farpa do Queiroz e do Ortigão, quanto aos malefícios do chá!

Verdadeiramente irados por não mais verem, até ao próximo ano, as inspiradoras vestimentas de banhos das lindas donzelas que à época (1872) se passeavam pela praia, disparam um grito de revolta contra o culpado... o chá!
Acabadas as distracções, é este maléfico líquido o bobo que entretem as mesmas senhoritas que ontem se passeavam à beira mar.
Cá vai o tal manifesto anti-chá!
O chá não alimenta, não estimula, não refrigera, não medica, não embriaga, não tem nenhuma das virtudes que explicam a existência de todas as outras bebidas. Não alegra como o vinho generoso, não alimenta como o substancial chocolate, não esperta como o perfumado café. (...) O chá não tem melhor cor do que qualquer casaca desbotada, nem menos mau cheiro que qualquer outra infusão ou cozimento. Para o poderem tragar, os mais desvairados amadores misturam-lhe substâncias adicionais: deitam-lhe açucar, deitam-lhe leite, conhaque, rum, ou pingos de limão. Dir-se-ia, ao ver prepará-lo com semelhantes precauções tendentes a disfarçar-lhe o sabor, que é óleo de castor ou de fígados de bacalhau que se trata de beber. E, depois de tudo isto, não há ninguém de paladar tão corajoso que possa tragar uma pequena taça de chá senão aos poucos, golo por golo, às colherinhas.
A história do chá não é menos antipática que a cor, o cheiro, o sabor e os efeitos patológicos dessa ridícula droga. (...)
In As Farpas, por Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão. Setembro-Outubro de 1872.

2.15.2005

Os portuenses do Agostinho!

Os portuenses, em 1788, não eram os mesmo de hoje, apesar de agora se viver a era da normalização... Havia, na altura, grande homogeneidade na definição do habitante do Porto, senão vejamos como definia, o Agostinho, as gentes da "Imbicta":

Geralmente falando são os portuenses de estatura mais que mediana, têm a cor do rosto alguma coisa morena, mas animada de um rubicundo agradável, olhos e cabelos pretos, rostos compridos, corpos bem feitos e constituição robusta. Têm a alma nobre, sentimentos honrados e acções civis.

In COSTA, Agostinho Rebelo da - Descrição Topográfica e Histórica da cidade do Porto (...) datada 1788 (...). 3ª Ed. Lisboa: Fernesi, 2001.

2.03.2005

De Burro pelo Nordeste Transmontano



No Verão passado, um jovem citadino [e a sua companhia ocasional, a "Dentuça"] pegou numa velha burra mirandesa, a "Ceguinha" e, durante um mês, percorreu 350 quilómetros por caminhos antigos do Nordeste Trasmontano. Uma viagem romântica, quixotesca, ao velho Portugal, o Portugal das aldeias onde ainda perduram formas de vida singulares... In Jornal Público, 22.01.2005 (Texto e fotos de Pedro Fabião). Bem escrito e sentido! A não perder...

2.02.2005

Abraço Padrão




É um clássico utilizado em ocasiões formais.
Embora generalista, é benéfico e utilizável em todos - crianças e adlutos, homens e mulheres...

O abraço padrão pode significar:

a) Mmmm, gostaría de a conhecer melhor... essas formas são... proeminentes......

b) Parabéns!!! Esta ocasião é muito especial, que seja uma boa recordação para toda a vida! (qualquer que seja - aniversário; casamento; alturas, enfim, intímas e exploratórias....)

c) Ohhhh, grande!!!
Por aqui??
Tá tudo?
Sei que estás vestido bem demais para a festa de bêbados em que nos encontrámos! Pensavas que vinhas para o engate, farrapo? Pois bem, cá vai um abraço para te amarrotar o fato, dessa forma já parecerás um tipo da malta e perderás o pudor em te embebedares até às orelhas!

[Não era bem este o sentido do abraço padrão preconizado por Keating, mas penso que servirá!]

A Terapia do Abraço

A terapia dos abraços, embateu contra mim quando o livro A Terapia dos Abraços 2 de Kathleen Keating veio-me ter às mãos sem o querer, quase como impingido!
Percebi logo a intenção, tornar-me mais humano e mutar a minha carantonha macambuzia de todos os dias, não por estar mal disposto, mas antes por não estar alegre!

Deixemo-nos de desabafos e vamos ao que interessa!

Os tipos de abraços....

2.01.2005

Vox et calumpnia...



A vida sem o som da tua voz não faz o menor sentido!
Sem a tua presença...
desespero neste desterro voluntário em que me escondo
do desejo arrebatador de não mais te largar de meus braços,
de te possuir longamente e sem descanso!
O teu gosto... elixir da juventude e ópio viciante,
cuja falta nos faz cair num vazio.... um vazio igual ao da falta da tua voz!

Delaura a Sierva María in MÁRQUEZ, Gabriel García (1994) Del amor y otros demonios.

(se não o disse, devia...)

1.06.2005

"Os séculos não morrem, passam; são unidades do tempo, puramente artificiais..."


...

Assim definia o tempo Brito Camacho na obra Por Cerros e Vales.

O Tempo é uma nova descoberta para mim... Tantas acepções, tantos significados, tantas variantes para a mesma palavra, que não resisti a escrever alguma coisa sobre ele!

De significado simples, em oposição a eternidade, adquiriu, com a cientificação e especialização da sociedade, outras referências, que a tornaram na palavra mais complexa que conheço!

Vejamos:

Tempo pode ser de coagulação ou de hemorragia, se falarmos de análises clínicas;

pode ser astronómico quando Tempo solar, sideral uniforme ou equinocial médio;

pode ser irreal e infinito, quando filosófico;

relativo ou absoluto, aplicado à geografia;

conjuntivo... adverbial, na gramática;

pode assumir a forma de um velho, curvado ao peso dos anos, barbudo, dotado de asas e empunhando uma foice, símbolo da sua força destruidora... em iconografia;

litúrgico;

chuvoso ou soalheiro, em meteorologia...

moderato, adagio, larghetto, allegro, presto... na música!

pode ser, por fim, sinónimo de moeda japonesa de cobre, arredondada, e com um orifício central...

Tudo adjectiva... mas nunca deixa de ser artificial!


O Tempo perguntou ao Tempo, quanto Tempo o Tempo tem! O Tempo respondeu ao Tempo que o Tempo tem tanto Tempo quanto o Tempo, Tempo tem!

12.27.2004


Dança das Bacantes Vieira Portuense, 1799
Gravura de G. F. Queiroz
47 x 50 cm.
Biblioteca Geral da Faculdade de Ciências do Porto
Foto de: Emanuel Santos de Almeida

Das Bacantes às Nymphs.... que raio de tradução!

A Dança das Bacantes, gravura de Vieira Portuense de 1799, presente na Biblioteca Geral da Faculdade de Ciências do Porto, foi, para a época, o culminar do revivalismo arqueológico da Antiguidade que então se vivia.

Exposta no Salão da Royal Acamedy of Arts, nesse mesmo ano, com o número 868 do catálogo, apresentou-se com a fidedigna tradução de A dance of nymphs.
Nada a acrescentar se a tradução fosse a exacta...

O letrado tradutor, pelo contrário, adulterou todo o sentido da composição. De Bacantes excitantes e provocatórias no seu culto isotérico, a Ninfas, juviais e inocentes, belíssimas, sem dúvida, mas sem a carga eminentemente sexual das primeiras.

Senão vejamos o significado de uma e de outra:

Por Bacante, designamos as sacerdotisas do culto a Baco, as mulheres que tomavam parte nos bacanais.
De puritanas à procura da elevação do espírito e à santificação da vida, rapidamente o fanatismo pelo culto tomou proporções grutescas, em que os excessos, a embriaguês e o furor orgiástico procurava alcançar uma elevação superior. Correspondiam a três grupos: as Furiosas (verdadeiras ninfomaníacas que, depois de sugarem os fluídos corporais, antropofajavam os vários parceiros, segundo a minha fértil imaginação!); as Tíadas ou sacerdotisas (puras donzelas que não aceitavam a fornicação pura e simples, ao contrário, mascaravam-se com presopas gregas com vista a não serem reconhecidas, mantendo assim limpa a sua imagem santificada... que delírio!); e as Coras (verdadeiras devassas, do mais puro hardcore clássico, aliás, será esta a origem da palavra, já que a depravação chegava a tal ponto que faziam-se concursos públicos para se saber quem aguentava com mais indivíduos...[!?]).

Já as Ninfas... eram verdadeiras divindades! Personificavam a força da Natureza, especialmente o princípio húmido que presidia aos rios, fontes, etc. Para Homero, eram filhas de Zeus, nascidas das águas dos céus que, caminhando por vias secretas, apareciam à superfície sobre a forma de mananciais.

Corrigimos, pois, 205 anos depois, o erro do editor do catálogo!

Pelo erro pedimos as nossas desculpas!!!

12.22.2004

Dr. Mirandela... ou o cientista que sabia escrever!



- Tratado único do uso e administração do azougue nos casos em que é poïbido, Lisboa, 1708;
- Medicina Lusitana: socorro délfico aos clamores da natureza humana para total profligação de seus males, Amsterdão, 1710 (2ª ed., 1731)
e Âncora Medicinal para conservar a vida com saúde, Lisboa, 1721 (2ª ed., 1731; 3ª e 4ª em 1740 e 1754).
São alguns dos maiores êxitos de Francisco da Fonseca Henriques, doutor em Medicina pela Universidade de Coimbra, nascido em Mirandela em 6.10.1665 e morrido(?) em Lisboa em 17.4.1731.
Personagem principal das notícias anteriores, era, até hoje, um desconhecido para mim, tal como, acredito, para muitos... e continuará a ser, enquanto não derem uma espreitadela neste blog!!
Foi um cientista erudito. Médico de D. João V, era conhecido por Dr. Mirandela! Porquê?
Será difícil de encontrar uma resposta sustentada... Escreveu variadas obras entre 1708 e 1721.
A qualidade do que criou era tal, que foram feitas várias reedições de dois ou três livros seus - pasme-se, no país iletrado e rabugento que eramos (e que somos!?). A pureza de linguagem é marcante, motivada, talvez, pelo profundo conhecimento do latim que detinha.
De notar ainda a obra, Aquilégio medicinal em que se dá notícia das águas de caldas, de fontes, rios, poços, lagoas e cisternas do reino de Portugal e dos Algarves... dignos de particular memória, Lisboa, 1726. Última obra, a servir de corolário a uma vida dedicada à ciência e erudição... Triste a natureza humana quando nos confinamos a uma coluna de uma qualquer enciclopédia, após uma vida de sacrifício!

12.20.2004

Limões azedos...refrescam muito e previnem a podridão!


A farmacologia galénica do século II a.C. estudava já a importância das vitaminas no cardápio alimentar dos humanos. Assim, graduava a qualidade dos alimentos - quentes, frios, húmidos e secos - procurando, desta forma, criar uma hierarquia dos manjares terrenos.
Esta doutrina manteve-se ao longo do tempo.
O nosso velho conhecido Fonseca Henriques, no afamado Âncora Medicinal de 1731, refere-se precisamente a esta classificação, da qual retiramos alguns excertos ilustrativos da ordem alimentar em voga na época.
Acreditamos que pouca gente faria caso disso, até porque o sustento era o pão! Mas...também... ninguém lê esta notícia e nem por isso deixo de a escrever!!
Portanto lá vai, em honra do eloquente e facundo Henriques!
os cogumelos são frios e secos;
o melão e o tomate, frios e húmidos, como as bananas;
as uvas, quentes e húmidas;
as nozes, quentes e secas, assim como a pimenta, o cravo, o gengibre, etc.
o sumo de limões azedos refresca muito e é contra a podridão (...)
O autor defende, ainda, a existência de alguns alimentos para a sustentação do Homem segundo a idade e a estação do ano. Como exemplo, vejamos o que diz em relação ao Inverno:
No Inverno que é frio e húmido, hão-de ser secos e quentes; não só por se contrariarem às qualidades hiemais, mas para gastar, ou temperar as muitas serosidades e fleumas de que os corpos abundam.

12.19.2004

Café com arte...

O café ajuda... na flatulência!

No mesmo ano de entrada do primeiro barco com café, em Portugal, vindo do Brasil, o dr. Francisco da Fonseca Henriques edita a sua Âncora Medicinal, conferindo a este caro e estranho líquido as qualidades terapêuticas naturais de uma bebida elitista...

O café... é quente e seco; tem muitas partes ténues e balsâmicas, e muitro sal volátil como se colhe do cheiro que exala, e do suco oleoso que de si lança, com o qual corrobora grandemente o estômago e cérebro; refera as obstruções das entranhas e útero; e por isso é eficacíssimo em provocar a purgação dos meses... ajuda a digestão de alimento; é útil nos males da cabeça; impede a temulência ou a modifica, porque reprime e abate os vapores do vinho e dos mais licores espirituosos; conforta a memória, alegra o ânimo; é remédio nas vertignes, nos estupores, paralisisas, apoplexias, nos sonos profundos, nas hidropisias, nos catarros, nas fluxões do estilicídio ao bofe, na gota artética, nos males dos olhos, dos ouvidos, nas palpitações do coração, nas hipocondrias e flatulências, nas cólicas de causa fria, nas quedas, nas supressões de urina, que é mui diurético...

Um café por favor!...

De 1731, datará o primeiro carregamento de café do Brasil para Portugal. De facto, a Gazeta de Lisboa Oriental n.º 4 de 25 de Janeiro, elogia a pureza do café encontrado no sertão do Maranhão...

Nos últimos navios que chegaram do Maranhão veio algum café, que se descobriu no sertão daquele Estado, ainda de melhor qualidade que o do Levante (...)

A descoberta de tão aromático e extravagante néctar em solo da coroa, não foi dado por esquecido. Em Julho de 31 já o governo de D. João V isentava de direitos, por 12 anos, a entrada no país de canela e café do Brasil. De prorrogação em prorrogação, o comércio foi-se estabelecendo. Em 1765 a Companhia Geral do Maranhão e Grão-Pará, braço económico do estado e tais paragens, transportava já 3.000 arrobas de café para a metrópole.

História de um projecto não iniciado

Quioske é um blog de tudo e mais alguma coisa.

Mistura conceitos, hábitos, realidades e anseios, com o objectivo de criar um espaço livre onde possamos escrever o que nos der na "REAL GANA", como diria um certo tipo, num determinado sítio, e que, pela expressão, só poderia ser de Coimbra...

Cá vai, mandai posta de pescada e bitaites em bom português.