Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
Fernando Pessoa
12.16.2005
12.15.2005
12.14.2005
Pensamentos transviados
Não obstante a minha impertinente moléstia das hemorróides, que me embaraçou no passado responder à estimadíssima carta de vossas senhorias, e tem sido tão forte e continuada, que há mais de dez dias me não deixa sair de casa (...)
MANSILHA, João (frei). Correspondência avulsa à Companhia - 23 de Janeiro de 1771.
12.13.2005
Suspiro!
Sem tempo para grandes empreendimentos aplicáveis ao meio físico, resta-me pensar, e mesmo isso por vezes é conflituoso, pois a balança anseia equilibrio, e na falta do (re)confortante tempo a coça-los, ou a bebê-los, elevo o "prato" do mesmo na inocuidade, e lá vou enchendo o "prato" oposto, pensando, nem que seja só nisto.
Este "prato" (cheíssimo) passou a ser o do dia, mas de variedade imensa, sinto-me envelhecer, o tempo que disponho é maioritariamente a pensar preocupadamente e não despreocupadamente como antigamente, como no tempo do "que se foda", "hoje não vou", as variáveis preocupantes acumulam-se, e mesmo sendo de índole alegre e predominantemente "despreocupada", as preocupações potenciam o "g" na equação P=m.g.... foda-se
Faltam-me pessoas, As pessoas... mas eu não tenho receio, confiante de que emergirei sempre sob a aura da minha alegria e despreocupação, pois vale a pena, eu valho a pena para essas pessoas, e elas valem a pena para mim.
Aos meus amigos e irmãos... Ni!
Antes e Depois
Ao vasculhar velhos papéis, deparei com uma pequena relíquia que me pareceu mais contemporânea do que, à partida, pareceria.
É uma singela ficha de leitura sobre as origens da Revolução Francesa de 1789. Preconiza o contexto (entre 1787-1789) que terá levado ao enlace revolucionário, a nível financeiro, económico, social e político.
Apesar do risco de anacronismo, penso ser interessante reflectir sobre a efervescência da altura e sobre a que vivemos nos dias de hoje, uma sociedade mais civilizada, conformada e (des)interventiva, mas preocupada com o amanhã e em busca de novos ideais, à altura, solucionada com a bombarda ideológica – a Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Na segunda metade do século XVIII, em pleno cenário francês, sentia-se um clima de crispação generalizado, movido por um vazio de poder efectivo sobre os velhos levantadores de massas - a nobreza e o clero.
Estes, tinham grande relutância em ver os seus privilégios diminuídos pela imposição de novas contribuições à coroa. É que, há altura, falava-se na criação de impostos sobre a propriedade, posse exclusiva das elites.
A sociedade, dominada por corporações burguesas que exerciam pressão sobre a decisão real, pretendem tornar-se hegemónicas, numa corte nobilitada que, a todos o custo, tenta manter a sua posição monopolista conselheira, ao fazedor de leis.
Um novo mundo dá, agora, os primeiros passos: o latifúndio dá lugar à força do comércio e, nesse sentido, a burguesia, proveniente do Terceiro Estado, vê o seu poder justificado pelo apoio popular.
Os anos agrícolas, fracos, não respondem ao aumento do número de bocas a alimentar, levando à fome e ao desconforto e com isso, aumentando a instabilidade e debilitando a noção do poder como disposição divina.
Como contraponto, o atraso industrial e comercial em relação aos insulares, não permite a competitividade dos seus negociantes. No caso vinícola, o crescente comércio dos vinhos de embarque do Alto Douro, em Inglaterra, irá sobrepor-se aos líquidos franceses, em anos climatéricos difíceis para a pureza do néctar.
Os acordos com os Estados Unidos da América independente, no sentido de abrir os portos das Antilhas aos seus produtos e o Tratado de Édem com Inglaterra, veio piorar a situação, uma vez que o mercado transatlântico não se fidelizou aos produtos e o autóctone, viu-se a braços com uma inundação de artigos britânicos de melhor qualidade e preços mais competitivos.
As falências, o desemprego, os baixos salários levam à indignação popular, primeiro passo para extremarem-se posições. Da motivação à destruição é um passo e, no clima de conflitualidade que se vivia na época, as injustiças saltam à vista.
Cresce a contestação à intocável hierarquização desigual das ordens sociais, o poder, mal distribuído, é contestado, os poderes instituídos impedem a modernização, o regime feudal nos campos, impede a liberdade de plantio...
A Revolução Americana de 1775, era a inspiração e tida como uma lufada reformista aos conspiradores que viam no Antigo Regime e no absolutismo, um entrave ao avanço comercial, científico e cultural do país, bem como ao acesso ao poder a que aspiravam.
A massa popular jovem, mais interventiva, via-se desempregada e revoltada com a inércia social que não entendiam. Foram precisamente elas as manipuladas para levar a revolução a bom termo. R.Rémond, designa-as como os motores da revolução.
Por seu turno, a carcaça autoritária, preocupada em manter o poder a todo o custo, repele os intentos renovadores, aumentando, assim, a instabilidade e gerando hostilidade.
Luís XVI joga pelo seguro, colocando-se fatalmente, ao lado da nobreza... Irá custar-lhe a cabeça...
Gira e torna a girar a vã estória dos nossos actos!
12.12.2005
Machadadas democráticas
Em visões televisivas dominicais, fiquei a saber que o canal do Estado apoia dois candidatos à Presidência da República.
Um, com maior projecção, martela na esquerda, tentando dividir votos pelos 4 magníficos e, com isso, mantendo uma confortável vantagem do salvador em relação aos demais.
Outro, às segundas, trina baixinho em favor do ancião, chamando a si votos dos indecisos da esquerda e, com isso, tentando uma segunda volta difícil de acontecer... é que os portugueses ainda não se livraram do síndroma sebastianista!
Assim sim, há imparcialidade no canal público, é só escolher os comentadores correctos...
Mais a mais, que dizer dos outros candidatos renegados pelos media!? Verdadeira machadada democrática, isso sim!
12.09.2005
12.07.2005
Bojardas!
Ontem, em audições radiofónicas, sintonizei a Prova Oral, na Antena 3. Programa sobre blogs, especialmente sobre mais um que publicou.
Aproveito este nosso cantinho recôndito para bojardar algumas considerações existenciais que me assomaram naquele momento.
Antes de mais, é de bom agoiro a profusão de livros tendo por base as inúmeras arestas existentes, parece-me ser sintomático de uma lufada de ar fresco na poeirenta papelada que começava a cair em desuso.
Nova interessante e pertinente, também, o facto destes formatos estarem na moda e de já prognosticarem o seu fim... é que no início do século XX fez-se o mesmo em relação à arte e ela aí está, a clamar por atenção.
Porém, nem tudo são rosas... Pseudo-intelectualóides alternativos [obrigado Gaja Boa pela dica] dizem que não têm tempo para ler outros blogs da pseudo-comunidade. Manifestam a sua falta de disponibilidade para se divertirem ao ler um ou de reflectirem ao passar os olhos por outro... É triste a realidade desses que não têm tempo para, sequer, navegar dois minutos por outros locais onde nunca passaram e onde sabem que não voltarão!
Será que esses ditos pseudo têm tempo para respirar, é que quem escreve por cá e não visita outros similares ou divergentes, não deve ter tempo sequer para os lavar no bidé (ou bidet?)!
E que dizer daquela mania imberbe dos que pretendem ser, pela publicação de uma resma, escritores? Será que nunca provaram canja de galinha!? Será que ainda não perceberam que, para se ser escritor, precisam de consultar o dicionário da língua portuguesa!? Será que têm a veleidade de se auto-carimbar sem referências!? E que dizer do sentimento dilacerante de, ao ler os verdadeiros, perceberem que nunca conseguirão escrever assim!? Não lhes dói ou não sentem o toque!? São insensíveis à dor!? E consciência, existe!? E pudor, sabem o que é!?
Isto tudo para dizer que tem sido por aí publicada muita barbaridade, numa política pouco qualitativa de edição, que me parece enganosa e capaz de desacreditar o livro como espaço de boa escrita - literária ou não.
Aproveito este nosso cantinho recôndito para bojardar algumas considerações existenciais que me assomaram naquele momento.
Antes de mais, é de bom agoiro a profusão de livros tendo por base as inúmeras arestas existentes, parece-me ser sintomático de uma lufada de ar fresco na poeirenta papelada que começava a cair em desuso.
Nova interessante e pertinente, também, o facto destes formatos estarem na moda e de já prognosticarem o seu fim... é que no início do século XX fez-se o mesmo em relação à arte e ela aí está, a clamar por atenção.
Porém, nem tudo são rosas... Pseudo-intelectualóides alternativos [obrigado Gaja Boa pela dica] dizem que não têm tempo para ler outros blogs da pseudo-comunidade. Manifestam a sua falta de disponibilidade para se divertirem ao ler um ou de reflectirem ao passar os olhos por outro... É triste a realidade desses que não têm tempo para, sequer, navegar dois minutos por outros locais onde nunca passaram e onde sabem que não voltarão!
Será que esses ditos pseudo têm tempo para respirar, é que quem escreve por cá e não visita outros similares ou divergentes, não deve ter tempo sequer para os lavar no bidé (ou bidet?)!
E que dizer daquela mania imberbe dos que pretendem ser, pela publicação de uma resma, escritores? Será que nunca provaram canja de galinha!? Será que ainda não perceberam que, para se ser escritor, precisam de consultar o dicionário da língua portuguesa!? Será que têm a veleidade de se auto-carimbar sem referências!? E que dizer do sentimento dilacerante de, ao ler os verdadeiros, perceberem que nunca conseguirão escrever assim!? Não lhes dói ou não sentem o toque!? São insensíveis à dor!? E consciência, existe!? E pudor, sabem o que é!?
Isto tudo para dizer que tem sido por aí publicada muita barbaridade, numa política pouco qualitativa de edição, que me parece enganosa e capaz de desacreditar o livro como espaço de boa escrita - literária ou não.
O descrédito é geral, mantém a venda dos clássicos, é certo, mas coloca os novatos promissores, numa posição inglória (essa mesmo!?) pelo mediatismo e pela sobrevivência literária...
Que sirva a quem de direito, porque isto de bojardar é para quem quer, não para quem pode!
12.06.2005
12.02.2005
Olhos matinais
Em plena padaria, pela manhã, a tomar o pequeno almoço ensimesmado na minha meia de leite, começo a aperceber-me da existência de sussurros e murmúrios à minha volta.
Os ouvidos, como que fechados ao som exterior, começam a adaptar-se à azáfama que percorre o exíguo espaço.
"Aaaaaaí! Eu vi logo que era o meu bruninho!! Eu disse para comigo, aquele é o meu bruninho!!! Aí que lindo que ele está!!! É o meu bruninho!!!! Dá cá um beijinho bruninho!!!"
Salto a pensar que a senhora se preparava para lambuzar a cara do coitado do rapaz que as estava a servir.
Os dentes amarelecidos por resmas de cigarros que trincou, o fumo cuspido enquanto fala, a subir pelas narinas, dá-lhe um ar dragonesco. Do outro lado, um cheiro acre a perfume bolorento, faz-me notar na cabeleira loira da senhora que toma o seu galão, ondulante e, concerteza, habitada por aqueles pequenos e estranhos homenzinhos de chapéu bicudo vermelho!
Em frente, um sujeito de bigodaça proeminente, começava já a puxar do maço, pronto para me atafulhar de fumo logo pela manhã...
Fujo, fujo como se não houvesse amanhã! (Mas paguei a conta!)
Os ouvidos, como que fechados ao som exterior, começam a adaptar-se à azáfama que percorre o exíguo espaço.
"Aaaaaaí! Eu vi logo que era o meu bruninho!! Eu disse para comigo, aquele é o meu bruninho!!! Aí que lindo que ele está!!! É o meu bruninho!!!! Dá cá um beijinho bruninho!!!"
Salto a pensar que a senhora se preparava para lambuzar a cara do coitado do rapaz que as estava a servir.
Os dentes amarelecidos por resmas de cigarros que trincou, o fumo cuspido enquanto fala, a subir pelas narinas, dá-lhe um ar dragonesco. Do outro lado, um cheiro acre a perfume bolorento, faz-me notar na cabeleira loira da senhora que toma o seu galão, ondulante e, concerteza, habitada por aqueles pequenos e estranhos homenzinhos de chapéu bicudo vermelho!
Em frente, um sujeito de bigodaça proeminente, começava já a puxar do maço, pronto para me atafulhar de fumo logo pela manhã...
Fujo, fujo como se não houvesse amanhã! (Mas paguei a conta!)
Há dias que começam mal, ou então, vemos o mesmo cenário com outros olhos, todas as manhãs...
11.29.2005
Saudoso tasco
É com grande preocupação que escrevo este texto. Ao longo dos últimos anos temos vindo a perder um dos maiores icones nacionais, o tasco. Sim, aquele local de cheiro ácido, entranhado daquela imaculada imundice, em que pontas de cigarro pintavam o chão. O tasco do homem calvo, bigode farfalhudo e nariz vermelho, vestido com um avental que um dia tinha sido branco e que mostrava as marcas do seu esforço em preparar sandes de rojão. Gajos como eu, passamos a vida a ouvir falar desse local mitico onde os nossos pais e avós moldaram a sua virilidade e figado sob a força do vinho martelado. E agora, que me sinto homem suficiente para debater a politica raesense (tino um grande abraço) vejo-me vitima da gasolinização. Vá-se lá perceber estes tempos modernos que revolucionaram os hábitos e costumes portugueses. A ventoinha de pás verdes e aros de metal substituida por um ar acondicionado. As mesas quadradas que tantas cartas e dinheiro viram bater deram lugar a uma mesa alta e redonda sem o conforto das cadeiras de madeira tosca desgastada pela força do uso. O tasqueiro tirou o avental e vestiu um pólo cinza com letras laranjas.
Este lugar estranho, limpo e luminoso, remeteu o tasco português para os livros de história.
Espero com isto, que os jovens e adultos portugueses, quando se encontrarem na gasolineira mais próxima possam perceber que um dia existiu um lugar que eles podiam chamar seu.
Este lugar estranho, limpo e luminoso, remeteu o tasco português para os livros de história.
Espero com isto, que os jovens e adultos portugueses, quando se encontrarem na gasolineira mais próxima possam perceber que um dia existiu um lugar que eles podiam chamar seu.
Já somos uma banda larga!
Banda Larga para todos!
Estamos em desenvolvimento, somos agora três, LOSTSOUL, novo Team Member, chegou para postar!
Estamos em desenvolvimento, somos agora três, LOSTSOUL, novo Team Member, chegou para postar!
11.28.2005
Pensamentos transviados
A todos vós meus irmãos, comunico que devido ao surto epidémico que está a assolar o mundo, este ano, na quadra natalícia, não haverá missa do Galo.
BENTO XVI (2005). Discurso domingueiro.
Vaticano: Plenos Pulmões e Pantufas PRADA.
11.25.2005
O Castelo de Noudar

O relâmpago flamejante na planície cerrada, surpreendia a solidão e dava alento para mais um dia no deserto de palavras que implicava a estada em tal latitude.
Pela manhã, os bons dias eram oferecidos a todos, por esvoaçantes que, sem receio, deambulavam pelas muralhas avulsas esquecidas de todos.
Alguém se havia lembrado delas, no início do século, pelo que havia sido classificada Monumento Nacional. A partir daí, abandonada, apenas o balir e o latido acompanhavam a lenta degradação das estruturas.
A população que encerrava, havia partido há muito, sem saudades do regresso, tal a lonjura da civilização. O motivo, diz-se, terá sido um epidemia que dizimou a população e que a fez procurar outras paragens.
Situado na terra de ninguém, entre Portugal e Espanha, era posse obrigatória para quem quisesse dominar a região, pelo que as batalhas sucederam-se, até à assinatura de paz em 1668. Bom, não terá sido bem assim, em 1894, a contenda entre os beligerantes, foi sanada por acordos carimbados a sangue, irmanando, para sempre, o que era de cada um.
O castelo, isolado, deixou de ser preciso, deixou de ter significado, pelo que o esquecimento natural de quem vive o dia a dia o tornou cada vez mais distante e inacessível.
Vive, actualmente, da sua paisagem, do isolamento, do peso do passado ainda por explorar. O ambiente sinistro marcado por fantasmas de outrora aí tombados, pairam errantes por entre o vento que gela os corpos à sua passagem.
A paisagem verdejante acalma o espírito, pintalgada de vida e de cheiros ondulantes, é toda ela dinâmica com a brisa que sopra, trazendo sons longínquos e imperceptíveis ao ouvido, mas reconhecidos por quebraram o silêncio avassalador que impregna o ar.
Num espaço esquecido, tudo é volátil, apesar do vento levar a mensagem da sua existência, a corrente de pensamento, longe de imaginar a sua existência, e de se dedicar a assuntos da memória, deixa-a escapar, até à ruína...
A paisagem verdejante acalma o espírito, pintalgada de vida e de cheiros ondulantes, é toda ela dinâmica com a brisa que sopra, trazendo sons longínquos e imperceptíveis ao ouvido, mas reconhecidos por quebraram o silêncio avassalador que impregna o ar.
Num espaço esquecido, tudo é volátil, apesar do vento levar a mensagem da sua existência, a corrente de pensamento, longe de imaginar a sua existência, e de se dedicar a assuntos da memória, deixa-a escapar, até à ruína...
Assim vai o nosso património.
Fotografias gentilmente cedidas por Raquel Neves.11.24.2005
11.18.2005
Chegado de Valhalla...

Chegado de Copenhaga, onde contrai, uma gripe, ou se não daí, talvez de uma rameira viciosa com quem me cruzei, "either way", aqui fica o principal foco de interesse desta minha curta estada em København, a Gliptoteca Ny Carlsberg, exacto, o da brewsky!
Depois de uma noite debatendo-me com os demónios gripais, lá ganho coragem para deambular pela cidade, e então, munido de um copo de café a ferver como única arma para enfrentar o monstro de 4 graus célsius, lá vou à Ny Carlsberg Glyptotek.
Nem de propósito, neste curto período em que me encontro em Copenhaga, está patente uma colecção de peças do período Amarna (Egipto), que por acaso é dos aspectos que mais me atrai na historia social e artística egípcia, por razões que poderei explanar noutra altura. Como tal fiquei encantado e com o dia ganho. Por outro lado, devido a obras, parte do museu está interdito obrigando a direcção à solução chamada "Gliptoteca compacta" exibindo as peças de maior relevo. Seja como for, fica aqui a impressão extremamente positiva de um museu excelente, com um espólio espectacular, do qual destaco a ala impressionista bem dotada de Manets, Gauguins e Rodins, para além das esculturas clássicas e pré-clássicas, Francesas e Dinamarquesas, aliás, a base do espólio dos Jacobsen (patronos) e razão do nome Gliptoteca (Colecção de Escultura).
Edifício espectacular, pessoal de simpatia extrema, muito agradável, a ver! ... Ni!
Novas entradas
Em viagens pelo mundo blogueiro, novas entradas de qualidade chegam ao nosso recanto mal amado.
1 entre 1000's é a face do Entetantuus, em movimento desde Julho de 2005. Na sua postada inicial, coloca algumas questões existenciais, logo respondendo-se com o seu mau feitio: será que vou ser uma ovelha negra nestas estradas cibernauticas???... Sinceramente não contem com isso, tenho mau génio mas nada incontrolável!
Já Cultossaurus, manietado por Raddagast, imberbe, dedica-se ao outro lado da arte, àquela obscura e indefinida, tantas vezes renegada pelos puristas, antes neo-academistas.
Ambos, a não perder!
11.17.2005
A vila
O ar rarefeito e frio dá vontade de abraçar os cobertores e de lá não sair. Cá fora, o ar cortante é a única companhia da vila deserta. De quando em vez um sussurro por entre o casario amontoado perturba o silêncio.
A casa, gélida como o exterior, vazia como as quingostas apertadas, oprime qualquer vontade criativa... Não apetece sair, nem entrar, passear ou relaxar, apetece apenas não estar, não fazer, partir e não voltar àquela terra maldita que a todos dá um ar taciturno e triste.
Cá fora, em tascos típicos mas limpos, a população, envelhecida, junta-se para falar sobre o breu que faz ou para contar o que já havia ouvido vezes sem conta. A praça da Liberdade, o centro quadrangular, está deserto, apenas da Associação Recreativa e do Café Central se ouve o difuso ruído de uma qualquer discussão em torno de velhos hábitos.
Pela manhã, o frio continua, as pessoas, activas na sua indolência, atarefam-se com o nada que têm para fazer.
Gente embrutecida e enfadada com o marasmo da vila, não tenta mexer ou mudar o que quer que seja, apenas ir vivendo, sem esperança no futuro, sem ambições excêntricas que as gentes da cidade têm, nem com vontade de mudar o mínimo pormenor da sua passagem já delineada, mesmo antes de nascer.
Aqui se sente a força do destino. A languidez domina as acções, tudo mexe de vagar tentando não alterar a ordem instituída. Caiadas de branco com lista inferior amarela, o casario idêntico define bem a forma de estar dos conterrâneos.
A paisagem tranquila e majestática, pintalgada por pontos esvoaçantes, faz-nos sentir a força do pensamento e da inércia de não querer deixar de a ver. Chaparros corajosos pontilham o solo, dando guarida aos poucos bovinos que se protegem das pingas verdejantes. A vida começa a despontar, após a manta tórrida que cobriu a paisagem durante a estiva.
Terra esquecida pelo país e pelos próprios habitantes, é um lugar de ninguém. Do país, longínquo, apenas ouvem falar das cidades, de uns tais bairros e aglomerados que nada têm a ver com a sua realidade caseira, ouvem algo sobre problemas sociais e crises existenciais que não se adaptam à sua verdade, essa de solidão e de sorriso difícil.
Realidades distintas estas do quadrado pequenino à beira mar plantado, farto em pensamento, parco em acções...
A casa, gélida como o exterior, vazia como as quingostas apertadas, oprime qualquer vontade criativa... Não apetece sair, nem entrar, passear ou relaxar, apetece apenas não estar, não fazer, partir e não voltar àquela terra maldita que a todos dá um ar taciturno e triste.
Cá fora, em tascos típicos mas limpos, a população, envelhecida, junta-se para falar sobre o breu que faz ou para contar o que já havia ouvido vezes sem conta. A praça da Liberdade, o centro quadrangular, está deserto, apenas da Associação Recreativa e do Café Central se ouve o difuso ruído de uma qualquer discussão em torno de velhos hábitos.
Pela manhã, o frio continua, as pessoas, activas na sua indolência, atarefam-se com o nada que têm para fazer.
Gente embrutecida e enfadada com o marasmo da vila, não tenta mexer ou mudar o que quer que seja, apenas ir vivendo, sem esperança no futuro, sem ambições excêntricas que as gentes da cidade têm, nem com vontade de mudar o mínimo pormenor da sua passagem já delineada, mesmo antes de nascer.
Aqui se sente a força do destino. A languidez domina as acções, tudo mexe de vagar tentando não alterar a ordem instituída. Caiadas de branco com lista inferior amarela, o casario idêntico define bem a forma de estar dos conterrâneos.
A paisagem tranquila e majestática, pintalgada por pontos esvoaçantes, faz-nos sentir a força do pensamento e da inércia de não querer deixar de a ver. Chaparros corajosos pontilham o solo, dando guarida aos poucos bovinos que se protegem das pingas verdejantes. A vida começa a despontar, após a manta tórrida que cobriu a paisagem durante a estiva.
Terra esquecida pelo país e pelos próprios habitantes, é um lugar de ninguém. Do país, longínquo, apenas ouvem falar das cidades, de uns tais bairros e aglomerados que nada têm a ver com a sua realidade caseira, ouvem algo sobre problemas sociais e crises existenciais que não se adaptam à sua verdade, essa de solidão e de sorriso difícil.
Realidades distintas estas do quadrado pequenino à beira mar plantado, farto em pensamento, parco em acções...
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