5.18.2006

5.10.2006

pensamentos transviados xviii

Cuidado com as ideais boas e novas! É que as boas normalmente não são novas e as novas normalmente não são boas...

Anónimo

5.08.2006

Floresta do degredo

Um coelho corria pela floresta quando viu uma girafa a acender um charro:

- Óh girafa! Pára de fumar essa cena que te faz mal e vamos correr pela floresta!
Vais ver como te vais sentir muito melhor!!!

A girafa pensa e responde:

- Tens razão, coelho, bora nessa!

Assim, deixou o charro e foi correr com o coelho.

Mais à frente encontram um urso a cheirar cola.

Olham-se e o coelho replica:

- Óh urso, deixa essa merda! Essa treta só te faz mal, vem mas é
correr connosco e sentir o ar puro dentro dos teus pulmões!

De um salto, o urso junta-se aos dois, até que encontram um elefante a snifar cocaína.

- Óh elefante, estás maluco! Dás cabo de ti com essas merdas! Vem connosco correr pela floresta!

O elefante pensa um pouco e resolve juntar-se ao grupo, que metros à frente encontra o leão a injectar heroína.

Mais uma vez, o nosso amigo coelho pára-o dizendo:

- Óh leão, deixa-te de merdas e vem correr...

Ainda falava quando leva uma patada do leão que o põe KO.

Os outros animais revoltados perguntaram:

- Estás maluco? Por que fizeste isso? O rapaz a cuidar da nossa saúde e é assim que se trata o pobre coelho?

O leão, magânimo replica:

- Sempre que o cabrão do coelho toma ecstasy, faz-me correr feito um idiota pela floresta !!!


Enviado por e-mail por JPMiranda

5.04.2006

Novas do passado

Em pleno século XVI, Antonio de Mendoza, nomeado 1º vice-rei da Nova Espanha (1535-1550), envia para a corte de Carlos V uma descrição da história e sociedade dos povos nativos do México, designado por Codex Mendoza (c. 1541).

Este documento ilustrado, guardado na Bodleian Library em Oxford, traça os usos e costumes dos Aztecas desde o estabelecimento de Tenochtitlan, c. 1325, até às conquistas bárbaras de Córtez (1519-21), passando pela formação da Tripla Aliança Azteca.

Combinando grafismo autóctone com escrita latina, foi elaborado por nativos sob a direcção de anónimos frades, com o aval do bispo do México - Juan de Zumárraga. Relata aspectos quotidianos da sociedade mexicana, incluindo dados políticos, militares, etnográficos, dando uma imagem global do dia-a-dia dos indígenas.

Dividido em três partes, o manuscrito é considerada a pedra de roseta da civilização Azteca.

4.30.2006

Raise bitch, a new age has began!

Norma de conduta social, moralidade repartida, fervorosa fé. Definições redutoras e, para mentes menos zelosas, desactualizadas desse maço encadernado definido por bíblia.

Novos tempos, vontades diversas, nova norma, exige uma reestruturação do livro para que as massas o possam entender, vede como:

Reescrever o manual de procedimentos requer paciência e vontades inusitadas de que apenas algumas formulações mediáticas são detentoras. O 4º canal da TV da Árvore dos Estapafúrdios tem tudo isso: casos de vida, ensinamentos sexuados, moralidade desviante e até algo de sadomaso rosa choque, que alcança shares de fazer inveja ao tipo dos pregões aos peixes.

Pois então, palavra puxa palavra e a ideia surgiu: nova era digital merece outro livro de cabeceira, formato actualizado, pentateuco desconstruído, salmos hard core e evangelhos recauchutados, para uma melhor leitura. Proponho, até, uma formulação em rima simples, para facilitar a compreensão de rapers e afins.

Por isso exorto à criação, levantai-vos e abraçai a causa, uma Nova Era começou!

Begone and create a new square book, were people can see the suffering and feel the pain, eating pop corns and drinking cola in the chesterfield!

For me, a bottle of rum will be fine, bitch!
ideia: miguel s
3ª de mão : kiko
criador da expressão bitch: cavaleiro dos nimbelunguen

4.26.2006

32 anos depois

A revolução saiu à rua, exigiu direitos e deveres igualitários, verteu lágrimas de alegria por ver-se sobrepor à tirania e desvaneceu lentamente enterrada num qualquer sofá, de comando na mão.

O sonho esvoaçou entre iguais, tentando sobreviver contra vontades inauditas e escusas. É a sede de poder, o conformismo do sonho fácil, a competitividade, o motivo pelo desvanecer de uma fantasia.

Era um sonho de vida, colectivo, imberbe e incapaz de calculismo político. Era um devaneio de futuro, prognosticando a força da voz e o poder das massas. Era uma quimera de felicidade, pensando no bem comum e na possibilidade de igualdade. Era uma ilusão verbalizada, clamada, carpida, por tudo o que tinha ficado por dizer.

É um sonho adiado, individual, introspectivo e confortável, incapaz de manifestar a discórdia e a divergência. É um devaneio sem futuro, prognosticando o vazio social, a manipulação das gentes, o poder da retórica sobre a verdade. É uma quimera silenciosa, sibilante e esquiva, sem capacidade para se fortalecer, minada à partida.

O poder do sofá é avassalador. O crédito permite mais um upgrade à parafernália de maquinaria que nos torna mais sedentários e inertes sociais.

Temos outra vez o pão e o circo, o fado e o futebol. Tudo para nos fazer viver uma realidade perpendicular à verídica, sem precisarmos de nos alterar.

Temos a mordaça, temos a censura, temos a mesquinha inércia.

Temos tudo o que sonhamos, tudo roda à volta do poder do povo, faccioso e maleável, ao sabor dos dotes do orador e do grupinho politizado a que pertence.

Temos tudo, uma vida de sonho, irreal, paradisíaca, etérea e acomodada, vazia de conteúdo e de palavras.
Temos tudo, idealizamos uma realidade igualitária... mas vivemos um pesadelo manipulador.
Temos tudo, menos o sonho.

4.24.2006

Meia branca

A bela meia branca é uma instituição em Portugal.

É ver o lindo sapatinho negro, de pala, com a meia de desporto a reluzir por entre o vinco impecável da calça de fazenda.

Era esta a minha visão da mítica luva ortopédica vulgo pé de gesso até que deparei com o contrário:

Bela tarde de sol, na sua zundap, vejo o zé povinho com a sua calça rosa coçado e meia preta!

Ora, com o seu blazer branco e calça rosada, nada melhor que uma meia branca a combinar com o blazer, já o preto destoa.

Lá está nem toda a meia branca ofusca, nem toda a preta reluz!

Não é um provérbio lituano, mas serve para o gasto!

4.21.2006

Dias memoráveis

Há dias e dias.

Uns, taciturnos e iguais a tantos outros passam sem se perceber qual o seu verdadeiro sentido.

Outros, divergentes de tudo o que até aí já se sentiu, ficam para sempre na memória e no coração. Não que se pretenda embrulhá-los ou guardá-los, mas porque a nova é tão forte que não há forma de lhe fugir.

É um misto de ternura, alegria extrema e receio pela possibilidade de não corresponder, de não acertar, de não ser como pensamos ou de correr de forma diferente do que idealizámos.

A postura muda, as palavras começam a ser escolhidas, os dedos teclam, apagam, rescrevem, corrigem e voltam a apagar para depois voltarem a sair não tão puras quanto queríamos, mas como as podemos extravasar.

Dias há que nos deixam nesta corda bamba de emoções fortes, sem saber o que dizer mas com a certeza do que sentimos, sem as palavras certas mas com as emoções à flor da pele.

Ontem renasci, contigo deixei de ser um qualquer Quiosk num projecto ainda não realizado, passei a ser Kiko, sem rodeios, numa locomotiva em movimento.

Mas deixa, em Dezembro falamos melhor!

Entretanto este que te escreve sou eu, sem tirar nem por!

4.19.2006

Recuerdo da mouraria

A pedido de inúmeras famílias, cá vai um recuerdo mourisco.


A árvore quando está a ser cortada, observa com tristeza que o cabo do machado é de madeira.

Provérbio Árabe

Voltei mas não trouxe recuerdos!

Gente há que gosta de se evidenciar pela inusitada aparência fantástica do que constrói.

Daí a conseguir a imortalidade vai um passo de gigante...

Já a chacota, é a mesma distância que separa o rabo, da feze quando à caçador!


Photo by: Sofia D.

Location: Açores, Ilha de São Miguel.

4.07.2006

E lá vou eu outra vez!

Vou-me, mas volto!


Entretanto, andarei por aí camuflado, incógnito serei o tipo do gorro laranja e gabardina, pronto a atacar o transeunte incauto.

4.05.2006

A boca do barulho

Apesar de afónico, nada melhor que uma boca foleira para acordar vontades!

As mulheres são as primeiras a analisar outra que passa! Se assim não fosse, como se explicam olhares trocistas e invejosos pelo deambular estonteante de outrém!?

Também o contrário acontece: homens babosos com olhares fixos de luxúria, pela passagem alheia!

Onde se fixam, então, os olhares?

4.04.2006

Espaços duplicados

O ser e a sua imagem reflectida não são o mesmo, são ambíguos e díspares, impossíveis de se igualarem.

Quando visionada, a imagem vive da aparência, da falácia, da vontade de espelhar desejos e não realidades. Porém, visionada pelo frio clarão, tudo se simplifica, máscaras caem, deixando ver rugas, tristezas, lágrimas, sorrisos, verdades. O espelho tem esse dom, o de purificar imagens.

Contudo, a veracidade não nos preenche completamente. Por isso, transfigurou-se o reflexo para que deixasse de contar histórias e passasse a viver das estórias mal amanhadas que a tentação conta mas que a certeza desmente.

Por sua vez o reflector fidedigno, ameaçado pelos constantes upgrades reflexivos, começa a transmitir visões incongruentes, ora pintando cabelos brancos, ora alteando bustos, ora torneando pernas.

A simetria do encanto não é, por isso, validada pela imagem, esvai-se à medida que a ondulação circular vai definhando o reflexo, deixando vislumbrar a realidade.

Valdrada não é, portanto, nem espaço, nem singular, é antes o ser e o seu reflexo.


3.27.2006

Espaços aparentes

A urbe tresanda de vida!

Pessoas atarefadas cruzam-se sem nunca desviar o olhar. Os passos sucedem-se sem saber o destino. Sempre determinados não vá alguém estar atento.

Corredios, não param para descansar nem sequer para saborear os aromas ora acres, ora doces, ora incipientes que se sucedem. Gente improvável atravessa-se em caminhos ainda mais duvidosos e ninguém pára para olhar.

Desejos escondidos passam por nós sem sequer lhe sentirmos o rasto, vontades inomináveis escondem-se por detrás de máscaras que não vemos. Os vultos sim, sentimo-los, por vezes provocam calafrios lembrando-nos que alguém menos insignificante merecia um relance, mas a pressa não o permite.

Figuras amontoam-se à espera do mesmo: de uma lufada de vida que os leve dali por um passadiço perigoso, dando alento à inspiração.

Triste congénito, vazio natural, ávido por vida, coabita no imaginário de pensadores, resiste à força do tempo, sobrevive, dia após dia, ao mesmo desígnio de ontem que será, quem sabe e se deus quiser o de amanhã.

A luxúria vive lá dentro. Inglória, tenta furar por entre valores morais e éticos, bem definidos, que não podem ser quebrados.

A alegria, manifesta-se efémera, rasgando, de quando em vez, por entre as barreiras do pudor e da decência.

A verdade, débil, persiste por entre silêncios e vontades inqualificáveis que ninguém tem coragem de verbalizar.

Nada perdura no mundo real. Cá dentro, é outra coisa! Nestes espaços interiores, a vida vive, alegre, luxuriante, verdadeira, sem receios de ser quem é!

Cloé é vazia, aparente. Fantasmagórica subsiste numa esquina perto de si!

3.26.2006

Mudanças intergalácticas

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
(...)
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

por Luís de Camões

via-se...
vê-se...

3.22.2006

Mais outro pensamento transviado

Há dias e dias...

Dias que demoram anos, séculos resumidos a minutos. A vida rola, sem pensar nas horas intermináveis que insistem em se recriar e subsistir, por entre vontades e desejos que se apagam, num segundo!

Como diria alguém que pensa a realidade humana: É do caralho meus senhores, é do caralho!

3.17.2006

Pensamentos transviados xvii

Lânguida, voluptuosa e luxuriante. Assim é a devassadora de almas.

Gosta de si. A Filáucia, palavra que melhor a define, confere-lhe uma faceta oferecida e vistosa. Não é uma mulher habitual, não é belíssima, mas tem um sex appeal inexplicável que conquista todos os que com ela engraçam.

Com tenras 16 primaveras é já centenária em memórias partilhadas e secretíssimas, que lhe dão uma aura de misticismo apelativa ao paladar. Guarda histórias inusitadas, sobrevive a cochichos pela sua passagem altiva, rejuvenesce, todos os anos, como se fosse imortal.

Vive do mito, da crença, é o que nunca foi e adorada por quem já com ela não priva, transmitindo um estranho sentimento de alegria melancólica e contagiante quando pensada ou transmitida.

É autêntica, tirana e velhaca, diz o que quer sem rodeios mediando as relações com a sua autoritária presença.

É usada por quem mais lhe quer bem, excomungada pelo azedume de conversas mal acabadas e acarinhada por todos os que a dividem.

Personifica a loucura. Extasiante e frenética, irradia charme e malícia, devorando vontades e desejos à sua passagem.

Cuca vive da lembrança e dos actos, pujante e latente. É memória recriada e construída.