5.09.2011

socretinices

mais uma vez Sócrates cilindra um Portas pouco blindado...

comparo-o ao Pinto da Costa. Se um é o papa bujardas (nos dois sentidos pelo que parece), em empate técnico com João Jardim, Sócrates é o papa debates, mesmo sem teleponto fulmina o parceiro....

Quer se goste, quer não, o homem nasceu para malhar (que é feito do saudoso Santos Silva) na oposição...

5.05.2011

troika = trenó puxado por cavalos

Depois do golpe de teatro sobre o que não irá acontecer, cá lançam o memorando de entendimento, bem mais motivador do que a fraca comunicação ao país, como que a arrebanhar votos.
Especial enfoque para as medidas a implementar sobre o emprego (quem lê o memorando e não sabe de onde vem, ficará abananado com as medidas de protecção aos trabalhadores independentes), a formação profissional, a racionalização da AP e a regulamentação profissional.


No geral, parece-me bem, aliás, muito bem no que respeita ao fim das cédulas profissionais de grupos como operadores turísticos e afins que de (desin)formação têm muito...


Parece-me ainda bem as medidas de análise de associações e institutos públicos com vista ao fim da ampla matéria gorda...
e as medidas de contenção de cargos públicos

e as medidas de ajuste na administração local (racionalização de municípios e freguesias)

e as medidas de apoio à reconstrução imobiliária

e as medidas de contenção em gastos adicionais de custos de representação

e as medidas de racionalização dos departamentos de finanças
e as medidas de reforço dos corpos de auditores e fiscais


Em vez do que NÃO vai ser feito, podia ter sido feita uma declaração ao país sobre o que vai ser feito, seria bem mais construtivo e... vá lá, nem todos são meninos de coro que precisam de ser sossegados por mais um dia...

5.03.2011

eu comment

Há milhões de insanos que festejam a morte de alguém. Esses mesmo ficam indignados quando vêem um pedaço de pano ser queimado em público...

Quem é o terrorista afinal!?

O marado farfalhudo soviético dizia que "uma morte singular era uma tragédia, um milhão, uma estatística", afinal tinha a sua razão, é que morre um gajo, há festa, morrem 22 mil crianças por dia, é uma estatística.

É cada bronco!

Relatório 2010 sobre mortalidade pelo link: Levels & Trends on Child Mortality

5.02.2011

non finito

Há uns tempos, tentei, sem efeito, fazer uma revisão sobre o renascimento, no que se refere ao ressurgimento clássico e aos princípios formais do renascimento.

Hoje, o homem de vitrúvio relembrou-me a lição... não tanto pelos apontamentos, mas pelo espírito contemporâneo que um revivalismo potenciou, talvez não por si só, mas pelos homens que o fizeram, indo muito além dos cânones e do academismo que ele representa.

Com Bounarroti e a ideia a que deu forma, revoluciou-se o conceito do afloramento original e da intenção criadora travada pelo espírito da matéria.

A partir daí a forma extravasou a ideia, o artista libertou-se dos ferrolhos apertados da fórmula clássica (arte=ideia+forma), transformando-se na entidade salvadora do espírito que a matéria aprisiona.

Com a sério "os prisioneiros" libertou-se a forma da ideia, deixando ao artista a vã glória de decapar o que o espírito original retém. Do artista, nasceu o artesão que arranca à pedra a alma encarcerada.

E assim se fez arte. Pena que alguns não a vejam como ela é... a esses, chamo-lhes artistas, aos outros, anarcas libertadores da matéria.

4.27.2011

do que fala a "mais fina flor da aristocracia portuguesa"






Ontem ouvi com assombro uma reportagem inusitada. Acho que nem eu nos meus mais loucos devaneios pensaria numa entrevista a sua alteza a duquesa de carabaz... ou do carnaval.

Sua excelência a senhora duquesa, pertencente "à mais fina flor da aristocracia portuguesa" (cito o narrador), apresenta-se sentada junto à lareira real, com mise proeminente e pele de leopardo, referindo-se assim ao que a plebe designa por precedência e protocolo:

"quando se trata de um casamento real há diversas... há muita diplomacia que não se pode... não se tem o direito de... ao erro... e que se tem que ter muito cuidado porque todos os convidados têm que ser todos tratados da mesma forma, mas sobretudo não esquecendo, não, quem será sentado nesta fila, porque, não pode passar à frente deste mas também tem de ficar ao lado deste... Há diversas coisas que... prontos (sic) um sistema de maneira das coisas serem feitas que num (sic) podemos esquecer sobretudo, que é muito importante!"

Pérolas destas só me lembro da mítica frase do emplastro "o Pinto da Costa é o meu pai e o Victor Baia é a minha mãe..."

Ai que sôdades desses anos loucos do rei omeleta.... é que isto de populaça, república e demónios-afins-bem-falantes é coisa do zé povinho.

Sua magnífica excelência a duquesa de catrapaz, merece respeito pelas suas sábias palavras... pretendia apenas simplificar o discurso para o seu povo devoto perceber.

Hoje, vou rezar dois pais-nosso e três avés-maria para me purgar da minha maledicência.

4.25.2011

disc-ursos



Tive, mais uma vez, a paciência de ouvir os discursos e os comentários nas comemorações do 25 de Abril.


Tocante! Uma lágrima corria-me pela face ao ouvir responsáveis e ex-namoradas falarem da necessidade de coragem para enfrentar o futuro, do imperativo de reformas estruturais e de um bate-no-peito pelo que outros não fizeram...


A solução, como sempre, passa por novos rumos, novas figuras e uma nova forma de ver o país... Será mesmo assim? É que da assistência conta-se pelos dedos o povo abaixo dos 50 anos... é a experiência, meus senhores, é a experiência a funcionar... pelos vistos no mau sentido, pelo que vemos...


Esses profundos disc-ursos fizeram-me lembrar Mark Twain em Pudd'nhead Wilson "nada precisa tanto de reforma como os hábitos alheios" e na verdade, entre referências a maus políticos e maus cidadãos (outros claro!) não ouvi ninguém assumir culpa de nada...


Um dia faço um disc-urso sobre a reforma.... começará pelas palavras de ordem:


Reformai-bos camaradas, reformai-bos!

4.19.2011

pensamentos vergonhosos!


Costumo abstrair-me do contexto neste meu espaço de relaxe, pelo cinzentismo do dia-a-dia e pelas palavras calculadas que se lê tanto no mundo virtual, quanto naquele partidário, afiliado, parcial e lodoso lago da edição periódica.

No JN de hoje, Alberto Castro, comentador de impulso, apresenta a falta de crescimento nacional como "uma vergonha". Adiciona ainda um cartoon algo ranhoso de Francisco Providência representando um menino envergonhado, com orelhas de burro.

Bom, não deixo de concordar a estranheza do facto. Países como o Cambodja, o Burkina Faso ou a Líbia e o Iraque, apresentarem crescimento acima do português é, no mínimo, irónico.

Mas daí a considerar "uma vergonha" faz-me pensar no que me fará corar... o crescimento da extrema direita em países de primeira linha do crescimento mundial, a manutenção de facínoras no poder em países amordaçados, a tirania da banca no mundo capitalista, o poder vitalício de mafiosos em países do G7, ou imagine-se, num outro patamar de descaramento, a edição de um pasquim diário apresentando na primeira página e em destaque gordo a morte de um homem ao pontapé e uma qualquer rixa, como se não houvesse factos públicos relevantes para o comum mortal que deveria comprar o jornal para se manter actualizado...


Bem, mas isso sou eu que me envergonho com pouco...

4.12.2011

nomes inusitados II


Porto, 2011, nomes fluiam no terminal em frente, nas ruas movimentadas do mundo virtual.

Nomes insondáveis autores de ciência de alto impacto polulam aos milhares: Johnston, X.; Smith, Y., e muitos, muitos mais com derivações para todos os gostos, guardando em si, uma cara, uma personalidade, uma forma de ser e estar, boa gente e outros que nem por isso.

Dedico-me agora a nomes chineses, esse intrincado mundo de derivações, em que Li Mung refere a Li Ming que Li Mong citou Li Meng...

Todos originais, são autores de artigos científicos inclusos na maior base de dados referencial: a Scopus.

Cá deixo apenas algumas derivações possíveis de apenas uma combinações: Li, J.:

Li, Jungying
Li, Jingming
Li, Jing Jing
Li, Jung
Li, Jingquan
Li, Jinlei
Li, Jing Yue
Li, Jung Pang
Li, Jingin
Li, Jiantao
Li, Jiangyu
Li, Jizi
Li, Jin
Li, Jun Lan
Mais nomes inusitados, em português, aqui

3.29.2011

libralhada da boa

"Nos tempos antigos. quando pessoas e animais partilhavam a terra, um ser humano podia transformar-se num animal se assim quisesse, e um animal podia transformar-se num ser humano. Às vezes eram pessoas e às vezes animais e não havia diferença alguma. Todos falavam a mesma língua" cita um velho anarquista angolano num refrescante milagrário pessoal.



E que bom seria sermos falcões ou doninhas se assim o quisessemos...

3.16.2011

pensamento I

"Os homens são, regra geral, excelentes pessoas" - Eduardo Sá em entrevista ao Destak de 16 de Março de 2011.

1.26.2011

Coisas sobre cafés no Porto V

Cartoon by Drew at: http://www.toothpastefordinner.com

Li algures que os cafés do Porto conjugam memórias de bairro com vivências cosmopolitas. Concordo plenamente, são locais de encontro de gerações, sensibilidades, de vidas sem nenhum ponto comum que por um momento se cruzam, ou que se cruzam pela primeira de muitas vezes.

Como o diz o meu amigo Hugo, George Steiner escreveu algures que a Europa, enquanto espaço quotidiano comum, já existe nos cafés.

O Porto não foge à regra. Aqui, os cafés são locais de debate, de cultura, de vida partilhada, de conversa desmedida, entre mesas onde o que é poderoso e frágil aflora o palato através da chávena e onde a palavra escorre, descomplexada.

1.20.2011

Coisas sobre Cafés no Porto IV (e afins)



Localizada no Cabo do Mundo, a Casa de Chá da Boa Nova, de autoria de Siza Vieira, é afastado do centro da cidade. É um espaço virado para o promontório avassalador que nos mostra a força do mar e a persistência da pedra.
Uma escadaria limitada por muros altos faz-nos subir ao cimo do afloramento rochoso de onde se contempla o inexorável destino das ondas, a costa. Desconcertante caminho esse, não sobe, ao invés, desce, como que submergindo.
À entrada sobressaem os rasgos dominadores que nos mostram o silêncio do mar. Lá por dentro, revestido de madeira, estamos, de facto, numa cabana de praia.
Aqui beberica-se um café com maresia e a introspecção toma conta de nós. É indescritível, nem sequer coragem há de interromper o lânguido encontro das ondas com a pedra.

12.16.2010

Coisas sobre Cafés no Porto III

photo at Gala´s Night (ver post - porreiro e sentido)


O Café Ceuta, situa-se, tal como os anteriores, nas ruas quentes da nova noite portuense. É hoje, porém, uma leve sombra do brilho da sua abertura em Julho de 1953. Frequentado pelos "habitués" das livrarias das redondezas, é ainda ponto de encontro de gentes activas de ontem, com tempo para reviver, agora.

O edifício é caracterizador do tempo da fundação, com friso de pintura a fresco da autoria de Coelho Figueiredo e lambris forrados a mármore onde encaixam os espelhos cristalinos, já embaciados pelos inúmeros arranjos de cabelos de donzelas casamenteiras e alinhamentos de gravatas de senhores de outrora.

12.14.2010

Coisas sobre Cafés no Porto II

O Café Aviz é um sítio singular.

Fundado por volta da década de 50, apresenta o ambiente típico do Porto. Local de paragem de estudantes, como comprovam as placas dos muitos finalistas universitários que por ali passaram, e outros portuenses passantes, continua a ser reconhecido como local especial para provar a típica Francesinha.

A caminho dos 60 anos é caracterizador dos espaços novos que na altura recriaram o ambiente de café em meados do século XX, agora com novas atracções. O salão de jogos onde os obstinados batoteiros vinham acalmar (ou animar) os ânimos após a labuta diária, destaca-se pelas suas mesas à antiga e o seu baú de memórias, envidraçado, a reclamar a sua história de vidas partilhadas, namoros rompidos, gargalhadas compartidas.

É um lugar onde ainda se respiram as memórias surdas do maralhal que por lá passou e ainda passa a reunir hostes antes da noite que se avizinha.

Surpreendente foto reportagem sobre o Café Aviz em A Cidade Surpreendente

11.29.2010

Coisas sobre Cafés no Porto I


O Café Progresso, aberto em 1899 foi “fundado por meia dúzia de consumidores que, cansados de explorações, resolveram prescindir de quem lhes fornecia géneros avariados para eles os fornecerem, óptimos para si e para os outros” (diz-nos um autor coevo).


Era à altura o “Botequim Progresso” que reuniu nas suas mesas, colocadas em banda, personalidades distintas e individualidades anónimas que debatiam, em torno do mítico café de saco (que ainda produz), temas quentes do dia e outros mexericos de levantar voz.


Dizia Manuel Porto em 1958 que o “café ficou conhecido por nele reunir quotidianamente a fina flor do professorado portuense”. De facto, poderá tal ter ocorrido já que, não raras vezes, era determinado café ponto de encontro de gentes com afinidades profissionais que lá debatiam questões à sua actividade relacionadas, em torno dos inúmeros jornais corporativos que pululavam no Porto.


Em 1963 passa a ser classificado como “café” dando algum lustre aos uniformes brancos dos serventes, que se multiplicavam nas solicitações ao negro néctar e às afamadas torradas, sob a égide do aroma suave a tisnadas bagas doces.


Após uma lenta decadência, comum a vários cafés do Porto, em 2003 celebra a sua reabilitação, dando jus ao brilho de início do século, tendo celebrando, em 2009, as comemorações de respeitosos 110 anos de vida.


Mais sobre o Progresso em: http://www.cafeprogresso.net/
Design do cartaz por: TripleDesign

8.06.2010

A Árvore Generosa ou "Da forma da Arte"

Da arte descomplexada, verdadeira.

De como ser matemático [arte = forma + conteúdo]

De como a literatura não ser densa, bizarra ou alternativa.

De como os clássicos o serem, sem rodeios, nem pudores livrescos.

De como ser intemporal.

De como ler sem complexos.

De como ser cão, burro ou árvore, como nós, sem palavriados recriadores da verdadeira criação, nem discriminação da espécie (esta é intrincada, mas sentida).



A Árvore Generosa [Shel Silverstein] [Espantosa edição da Bruaá Editora]
Platero e Eu [Juan Ramón Jimenez] [Edição de bolso da Biblioteca Editores Independentes]

5.19.2010

Sono, tenham MUITO sono

9 da manhã, sono, MUITO sono!

A edição de Maio da National Geographic Portugal dedica uma meia duzia de páginas às questões dos distúrbios do sono e outras maleitas relacionadas.


Apesar de interessante, chamou-me à atenção uma caixa de texto algo do género:

"Após 24 horas sem dormir, a capacidade e rapidez de resposta a problemas, será semelhante à da ingestão, numa hora, de três copos de whisky"

Alguns dirão que isso é brincadeira de crianças, 3 a 5 copos por hora seria o normal de uma noitada de copos encharcada e se ainda por cima levar com gelo na coisa, não há que temer... mas e se o tipo trata gente e está ao serviço!?

Sobre os efeitos da falta de sono na classe médica, o artigo refere ainda os problemas relacionados, concluindo que (se bem me lembro) 20% dos respondentes da amostra (indivíduos em internato médico) admitiram que isso poderá ter tido repercussões na morte de um paciente...

Bom, que dizer dos turnos brutais que médicos e enfermeiros teimam em fazer nos hospitais portugueses? Bom para a carteira, bom quando não há que fazer e dá para uma soneca, mas e o tipo que chega partido às urgências, será que vai ter alguém apto para o remendar?

Na minha opinião, claramente, não.

24 horas de trabalho ininterrupto dará para ganhar uns trocos extra ao final do mês, mas em profissões em que recai a responsabilidade de manter a corda a bambolear sem partir, parece-me criminosa a manutenção deste sistema que, aliás, é usual por todo o mundo.

Então, qual a utilidade em manter o sistema? Parece-me que a utilidade amplamente responde aos interesses de todos:

. médicos e enfermeiros ganham trocos acrescidos e ainda podem dormitar entre emergências;

. administrações deixam de contratar mais gente para suprir falhas de pessoal deixando de gastar em segurança social e mais a catrefada de treta que paga por contratar;

. ordens e associações vêem alguns dos seus membros satisfeitos;

. o ministério deixa de gastar mais algum com financiamentos inusitados no poço da saúde e a diluir os prejuízos com a má prestação de cuidados na relação custo-benefício em saúde.
O único que perde é o tipo que poderá precisar de cuidados, mas esse, não conta nada, depois de uma queda e de umas quantas escoriações, um anestésico qualquer acalmará os berros para que o pessoal possa pôr o sono em dia e se não houver nenhuma pilula mágica, nada como 3 copos de whisky para lhe aclarar as ideias... mas sem gelo!